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A SANTA MISSA - UMA BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE O SANTO SACRIFÍCIO PDF Imprimir E-mail

Introdução 

 A Igreja e os santos sempre ensinaram que as coisas ocorridas no Antigo Testamento são prefigurações daquelas que aconteceriam no Novo Testamento. Isso quer dizer que Deus, para poupar a fraqueza do homem e para ensinar-lhe as verdades da Revelação de modo gradativo e adequado à nossa inteligência, quis ou permitiu que ocorressem os fatos do Antigo Testamento para que estes servissem como analogias em relação aos fatos que se realizariam no futuro, no Novo Testamento. 

Além de utilizar os fatos ocorridos no Antigo Testamento com a finalidade de preparar os homens para o que seria revelado no Novo Testamento, Deus se utilizou também das profecias.

E é assim que vemos, no Antigo Testamento, a Santa Missa prefigurada por muitos fatos e também predita pelos profetas.

Dentre os fatos do Antigo Testamento que são prefigurações do Santo Sacrifício da Missa estão: 

 

  1. O oferecimento de pão e vinho a Deus por Melquisedec, sacerdote e rei de Salém (Gen. 14, 18-20);
  2. O maná, sustento milagroso que o Senhor fazia cair todas as manhãs em torno do campo dos hebreus no deserto, depois de terem saído do Egito guiados por Moisés (Ex. 16, 4-36). O maná era um alimento descido do céu. Nosso Senhor na Santa Eucaristia é o Pão vivo descido do céu. – O maná substituía todos os alimentos, tendo nele todos os sabores. A Santa Eucaristia é o pão por excelência: basta para todas as necessidades da alma. – O maná durou até que os hebreus entrassem na terra prometida. A Santa Eucaristia nos será dada até que entremos no céu, onde veremos face à face o Deus que recebemos, no Sacramento, sob o véu de pão.

Várias coisas a respeito da vinda e da obra de Jesus Cristo foram também preditas pelos profetas, e uma delas é o Sacrifício da Missa, que seria instituído por Nosso Senhor e que se haveria de oferecer por toda a terra.

O profeta Malaquias nos mostra Deus irritado com as negligências e as provas de má vontade dos sacerdotes judeus da Antiga Lei quando ofereciam os sacrifícios:

“O filho honra seu pai, e o servo reverencia o seu senhor. Se eu, pois, sou vosso pai, onde está a minha honra? E se eu sou o vosso Senhor, onde está o temor que se me deve? diz o Senhor dos exércitos. Convosco falo, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome, e que dizeis: em que desprezamos nós o teu nome? Vós ofereceis sobre o meu altar um pão imundo, e dizeis: Em que te profanamos nós? Nisso que dizeis: A mesa do Senhor está desprezada. Se vós ofereceis uma hóstia cega para ser imolada, não é isto mau? E se ofereceis uma que é coxa e doente, não é isto mau? Oferecei estes animais ao vosso governador, e vereis se eles lhe agradarão, ou se ele vos receberá com agrado, diz o Senhor dos Exércitos”
(Mal. 1, 6-8).

Diante disto, Deus, pela boca do profeta, se mostra resolvido a rejeitar e abolir os sacrifícios antigos: “O meu afeto não está em vós, diz o Senhor dos exércitos; nem eu receberei algum donativo de vossa mão” (Mal 1, 10).

E passa a anunciar um Sacrifício Novo, oferecido em toda a terra: “Porque desde o nascente do sol até o poente é o meu nome grande entre as gentes, e em todo lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura” (Mal. 1, 11).

A expressão “do nascente do sol até o poente” é usada nas Escrituras para significar o mundo inteiro. A palavra “gentes” é sempre empregada na Escritura para significar os gentios, os povos que não são o povo israelita.
Esta oblação a que o profeta se refere não é tomada no sentido metafórico de oração ou sacrifício espiritual ou esmola: ela vem substituir os sacrifícios dos sacerdotes da Antiga Lei.

E não se refere diretamente ao Sacrifício cruento da Cruz, pois este foi oferecido em um só lugar, uma vez só, no monte Calvário, ao passo que aqui se trata de um sacrifício oferecido em todo lugar, de modo a tornar o nome do Senhor engrandecido entre as gentes: a Santa Missa, renovação incruenta daquele mesmo Sacrificio do Calvário.

O fato de Deus ter usado de figuras e profecias no Antigo Testamento com a finalidade de preparar o povo escolhido para aceitar o Sacrifício da Missa mostra-nos a grande importância deste mesmo Sacrifício e a grande estima que Deus tem por ele. A finalidade deste pequeno trabalho é tornar mais conhecido este Sacrifício tão estimado por Deus e que tem tão grande valor, expondo seu significado e as verdades que ele exprime, e que estão contidas em cada palavra e ação do sacerdote.


Primeira parte: o Sacramento da Eucaristia

  Do que é a Santíssima Eucaristia e da presença real de Jesus Cristo neste Sacramento

  1. Que é o Sacramento da Eucaristia?
    A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu preciso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual.
     
  2. Na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem?
    Sim, na Eucaristia está verdadeiramente o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem.
     
  3. Por que acreditais que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo?
    Eu acredito que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo porque Ele mesmo o disse, e Ele, sendo Deus, não pode mentir. E assim no-lo ensina a Santa Igreja.
     
  4. Que é a hóstia antes da consagração?
    A hóstia antes da consagração é pão de trigo.
     
  5. Depois da consagração, que é a hóstia?
    Depois da consagração, a hóstia é o verdadeiro Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das aparências de pão.
     
  6. Que está no cálice antes da consagração?
    No cálice, antes da consagração, está vinho de uva com algumas gotas de água.
     
  7. Depois da consagração, que há no cálice?
    Depois da consagração, há no cálice o verdadeiro Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das aparências de vinho.
     
  8. Quando se faz a mudança do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Jesus Cristo?
    A conversão do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Jesus Cristo de faz precisamente no ato em que o sacerdote, na Santa Missa, pronuncia as palavras da consagração.
     
  9. Que é a consagração?
    A consagração é a renovação, por meio do sacerdote, do milagre operado por Jesus Cristo na Última Ceia, quando mudou o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue adorável, por estas palavras: Isto é o meu Corpo; este é o meu Sangue.
     
  10. Como é chamada pela Igreja a miraculosa conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo?
    Esta miraculosa conversão, que todos os dias se opera sobre os nossos altares, é chamada pela Igreja de transubstanciação.
     
  11. Quem deu tanto poder às palavras da consagração?
    Foi o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus onipotente, que deu tanto poder às palavras da consagração.
     
  12. Deve-se adorar a Eucaristia? A Eucaristia deve ser adorada por todos, porque Ela contém verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor.
     
  13. Quando instituiu Jesus Cristo o Sacramento da Eucaristia?
    Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia na Última Ceia que celebrou com seus discípulos, na noite que precedeu sua Paixão.
     
  14. Por que instituiu Jesus Cristo a Santíssima Eucaristia?
    Jesus Cristo instituiu a Santíssima Eucaristia por três razões principais: 1a. para ser o sacrifício da Nova Lei; 2a. para ser alimento de nossa alma; 3a. para ser um memorial perpétuo da sua Paixão e Morte, e um penhor precioso do seu amor para conosco e da vida eterna.

            

Referências: Extraído do Catecismo Maior de São Pio X ± Quarta parte, Capítulo IV.



Segunda parte: Do Santo Sacrificio da Missa 

  1ª Da essência, da instituição e dos fins do Santo Sacrificio da Missa

  1. A Eucaristia deve ser considerada só como Sacramento?
    A Eucaristia não é somente um Sacramento; é também o sacrifício permanente da Nova Lei, que Jesus Cristo deixou à Igreja, para ser oferecido a Deus pelas mãos dos seus sacerdotes.
     
  2. Como se chama este sacrificio da Nova Lei?
    Este sacrifício da Nova Lei chama-se Santa Missa.
     
  3. Que é, então, a Santa Missa?
    A Santa Missa é a renovação do sacrifício que Jesus Cristo fez no Calvário. Entretanto, o sacrifício do Calvário foi feito por Jesus Cristo de forma cruenta, isto é, com derramamento de sangue, ao passo que na Santa Missa esse mesmo sacrifício é renovado por Jesus Cristo de forma incruenta, isto é, sem derramamento de sangue. Na Santa Missa Nosso Senhor Jesus Cristo se imola novamente para nossa salvação, como Ele fizera no Calvário, embora na Santa Missa seja sem sofrimento físico.
     
  4. Então o Sacrificio da Missa é o mesmo que o da Cruz?
    Sim, o Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes, seus ministros, sobre os nossos altares. Mas quanto ao modo como é oferecido, o sacrifício da Missa difere do da Cruz, conservando todavia a relação mais íntima e essencial com ele.
     
  5. Que diferença, pois, e que relação há entre o Sacrificio da Missa e o da Cruz?
    Entre o Sacrifício da Missa e o sacrifício da Cruz há esta diferença e esta relação: Jesus Cristo sobre a Cruz se ofereceu derramando o seu sangue e merecendo para nós; ao passo que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos de sua Paixão e Morte.
     
  6. Não é porventura o Sacrificio da Cruz o único sacrificio da Nova Lei?
    O Sacrifício da Cruz é o único sacrifício da Nova Lei, porque por meio dele Nosso Senhor aplacou a Justiça Divina, adquiriu todos os merecimentos necessários para nos salvar, e assim consumou de sua parte a nossa redenção. São estes merecimentos que Ele nos aplica pelos meios que instituiu na sua Igreja, entre os quais está o Santo Sacrifício da Missa.
     
  7. Para que fins se oferece o Santo Sacrificio da Missa?
    Oferece-se o Santo Sacrifício da Missa para quatro fins: 1o. para adorá-lo como convém, e sob este aspecto o sacrifício é latrêutico; 2o. para Lhe dar graças pelos seus benefícios, e sob este aspecto o sacrifício é eucarístico; 3o. para aplacá-lo, para Lhe dar a devida satisfação pelos nossos pecados, e sob este aspecto o sacrifício é propiciatório; 4o.para alcançar todas as graças que nos são necessária, e sob este aspecto o sacrifício é impetratório.
     
  8. Quem oferece a Deus o Santo Sacrificio da Missa? O primeiro e principal oferente do Santo Sacrifício da Missa é Jesus Cristo, e o sacerdote é o ministro que em nome de Jesus Cristo oferece este sacrifício ao Pai Eterno.
     
  9. Quem instituiu o Santo Sacrificio da Missa? Foi o próprio Jesus Cristo quem instituiu o Santo Sacrifício da Missa, quando instituiu o Sacramento da Eucaristia, e disse que ele fosse feito em memória de sua paixão.
     
  10. A quem se oferece o Santo Sacrificio da Missa?
    O Santo Sacrifício da Missa oferece-se só a Deus.
     
  11. Se a Santa Missa se oferece só a Deus, por que se celebram tantas Missas em honra da Santíssima Virgem e dos Santos?
    A Missa celebrada em honra da Santíssima Virgem e dos Santos é sempre um sacrifício oferecido só a Deus; diz-se, porém, celebrada em honra da Santíssima Virgem e dos Santos para louvar a Deus neles pelos dons que lhes concedeu, e para alcançar, pela intercessão deles, em maior abundância, as graças de que necessitamos.
     
  12. Quem participa dos frutos da Santa Missa?
    Toda a Igreja participa dos frutos da Missa, mas particularmente: 1o. o sacerdote e os que assistem à Missa; 2o. aqueles por quem se aplica a Missa, a que podem ser vivos ou defuntos.
     
  13. Terminada a Missa, que devemos fazer?
    Terminada a Missa, devemos das graças a Deus por nos ter concedido a graça de assistir a este grande sacrifício e pedir-Lhe perdão das faltas cometidas enquanto a assistíamos.

Referências:

Extraído do Catecismo Maior de São Pio X ± Quarta parte, Capítulo IV.



Terceira parte: O conhecimento e a compreensão das orações e cerimônias da Santa Missa

  Do conhecimento profundo da Santa Missa


  1. É necessário conhecer profundamente a Santa Missa?
    Um ato de religião praticado com tanta frequência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida de nossas capacidades.
     
  2. Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?
    Podemos conhecê-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.
     
  3. Para que devemos conhecer tudo isto?
    Para que a Santa Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de religião e de piedade.
     
  4. Que mais devemos conhecer da Santa Missa?
    Devemos conhecer suas palavras sagradas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para nos lembrar que um Deus se imola por nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.
     
  5. Que mais é salutar conhecer?
    Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um conhecimento mais íntimo da Santa Missa proporciona aos fiéis, com a explicação literal de suas orações e cerimônias.
     
  6. Deus exige de todos os fiéis um conhecimento profundo e detalhado da Santa Missa?
    Não. Deus supre com a fé o conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração arrependido e humilhado (Sal. 50, 19).
     
  7. Por acaso a Igreja ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa?
    Não. Na Igreja nada há de oculto e Ela jamais pretendeu ocultar qualquer mistério aos fiéis, seja da Santa Missa ou de qualquer outra cerimônia litúrgica.
     
  8. Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?
    Devemos deixar fora da igreja a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo e sermos, na igreja, adoradores em espírito e verdade.

 2º Da celebração da primeira Missa e da sua relação com a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo: as ações e palavras do sacerdote

  1. Quando foi celebrada a primeira Missa?                                                                                                       Pode-se e deve-se crer que a primeira Missa foi celebrada no Cenáculo, à véspera da morte de Salvador.
     
  2. Que paralelo podemos fazer entre o Cenáculo e a Santa Missa?
    Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

    Cenáculo     

     Santa Missa

     Jesus dirige-se ao Cenáculo: acompanhado dos seus apóstolos, chega ao Cenáculo, onde estava preparada a mesa do sacrifício e da comunhão. O sacerdote dirige-se ao altar, precedido dos seus ministros, onde tudo está disposto para o sacrifício da Santa Missa.
     Jesus deixa a mesa depois da ceia prescrita pela Lei, humilha-se ao lavar os pés dos apóstolos e os manda que se lavem mutuamente, voltando, depois, a ocupar o seu lugar à mesa. O sacerdote desce ao pé do altar, mesmo puro de faltas graves, para lavar-se e purificar-se das faltas mais leves. Por isso o sacerdote faz a confissão mútua com os assistentes, subindo depois ao altar.
    Jesus senta-se à mesa eucarristica: instrui seus apóstolos e lhes dá o resumo de sua doutrina, dizendo: “ Eu vos dei o exemplo para que façais como eu fiz” (Jo. 13).
    O sacerdote faz no altar a instrução pública e preparatória, com o objetivo de explanar estes dizeres profundos de S. Justino: “ Só pode participar da eucaristia aquele que crê que nossa doutrina é verdadeira, que recebeu a remissão dos pecados e que vive como Jesus ensina” (Apologia, 2).
     Jesus toma o pão e o vinho num cálice, e os abençoa. O sacerdote toma o pão e o vinho num cálice: eis a oblação, as orações e bênçãos que a acompanham.
    Jesus deu graças, elevando os olhos aos céus: embora os evangelistas não registrem as palavras de que Jesus se serviu nesta ação de graças, sabemos pela tradição que Ele enumerou os benefícios da criação, da providência e da redenção, que iriam se concentrar nesta vítima adorável; depois o Senhor partiu o pão e o deu aos seus discípulos dizendo: “ Isto é o meu corpo”; em seguida os deu também o cálice, dizendo: “ Isto é o meu sangue”. Eis a fórmula da consagração. É a comunhão no Cenáculo.
     O sacerdote emprega as mesmas palavras e gestos no Cânon da Missa, repetindo a fórmula da consagração: É a comunhão na Santa Missa.
     Jesus pronuncia um hino de ação de graças O sacerdote termina o Santo Sacrifício da Missa com a ação de graças.

  3. O que fizeram Jesus e os apóstolos após a Ceia?                                                                                   Os apóstolos saíram do Cenáculo com o seu Mestre, e se dirigiram ao Horto das Oliveiras, para serem testemunhas da renovação e da consumação do grande sacrifício da Cruz, da mesma forma que o sacerdote se dirige ao santuário, subindo ao altar.
     
  4. Que paralelo podemos estabelecer entre a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo e a Santa Missa?
    Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

    Cenas da Paixão, Morte e Ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo

    Cenas da Missa

    Jesus ora no Horto, com o rosto prostrado na terra em agonia.
    O sacerdote, ao pé do altar, recita o Confiteor, em humilde postura.
    Jesus, amarrado, sobe a Jerusalém.
    O sacerdote,  cingido com todos os paramentos, sobe ao altar.
    Jesus foi, de tribunal em tribunal, instruindo o povo, seus acusadores e seus juizes.
    O sacerdote vai de um ao outro lado do altar, para multiplicar e  difundir a  instrução preparatória.
    Jesus   Cristo, assim que sentenciado e despojado de suas roupas, oferece seu corpo à flagelação, prelúdio da sua execução e morte.
    O sacerdote descobre as oblações, retirando o u que cobre o cálice e a hóstia, ainda não consagrados, e faz a oferenda do pão e do vinho, que vão ser consagrados, e cuja  substância vai ser consumida.
    Jesus é pregado na cruz.
    Jesus se torna presente no altar com as palavras da Consagração.
    Jesus é suspenso na Cruz, entre o céu e a terra.Como no momento da Elevação, na Missa.
    Jesus expira na cruz.
    O sacerdote parte a Hóstia, indicando, visivelmente, esta morte.
    Jesus é colocado no sepulcro.
    Na Comunhão, Jesus é recebido pelo sacerdote e pelos fiéis.
    Jesus ressuscita glorioso.
    A ressurreição é significada pelo lançamento de um fragmento da hóstia consagrada (o corpo de Cristo) no cálice que contém o sangue de Cristo, na hora em que o sacerdote diz a oração “ Pax Domini sit semper vobiscum”, fazendo cinco cruzes sobre o cálice e fora dele. O sacerdote pede o efeito desta vida nova através das orações após a Comunhão.
    Jesus sobe aos céus, abençoando sua Igreja.
    O sacerdote se despede dos fiéis e os abençoa.
    Jesus envia o Espírito Santo aos seus discípulos.
    No final da missa, é lido o início do Evangelho de S. João, que nos exorta a tornar‑nos filhos de Deus, dirigidos e movidos pelo seu Espírito, conforme estas palavras do apóstolo S. Paulo: "aqueles que são conduzidos pelo Espírito
    de Deus, são filhos de Deus" (Rom. 8, 14).

  5. Que relação há entre a Santa Missa e as palavras de Cristo na Última Ceia?
    Nosso Senhor instituiu, após a Última Ceia, a parte essencial das orações e cerimônias da Santa Missa.
     
  6. Quem estabeleceu as orações e cerimônias das outras partes?
    As orações e cerimônias das outras partes foram estabelecidas pelos apóstolos, pela Tradição e pela Igreja, que acrescentaram o que convinha à dignidade do Santo Sacrifício, em nada alterando o substancial da Instituição Divina.
Referências:
Extraído do Catecismo da Santa Missa

3ª Da celebração da primeira Missa e da sua relação com a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo: as vestimentas do sacerdote

  1. O sacerdote deve usar vestes específicas para rezar a Santa Missa?
    Sim, o sacerdote deve usar vestes específicas para rezar a Santa Missa.
     
  2.  Estas vestes que o sacerdote deve usar para rezar a Santa Missa nos remetem ao que sofreu Nosso Senhor em sua Paixão e em sua Morte na Cruz?
    Sim, as vestes que o sacerdote deve usar na Santa Missa nos remetem ao que Nosso Senhor sofreu em sua Paixão e em sua Morte na Cruz.
     
  3. Estas vestes sacerdotais nos lembram mais alguma coisa?
    Sim. Estas vestes nos lembram diversas virtudes que devemos nos esforçar para possuir e diversas boas obras que devemos praticar.
     
  4. Quais são as vestimentas do sacerdote que vai celebrar a Santa Missa?
    As vestimentas do sacerdote que vai celebrar a Santa Missa são o amito, a alva, o cíngulo, o manípulo, a estola e a casula.
     
  5. O que é o amito?
    O amito é um véu branco que o sacerdote passa sobre a cabeça e com que cobre os ombros. Remete a coroa de espinhos com a qual Nosso Senhor Jesus Cristo foi coroado. O amito recorda-nos que devemos sempre ter pensamentos puros, combatendo sobretudo aqueles que nos vêm contra a castidade. Lembra-nos também a modéstia das palavras e o cuidado que devemos ter de não conversar inutilmente na Igreja.
     
    Amito            Amito
                   
  6. O que é a alva?
    A alva é uma túnica branca, larga e que desce até os pés do sacerdote. Remete à túnica branca com a qual Herodes mandou vestir a Cristo, para dizer que era louco. A alva recorda-nos de que seremos chamados de loucos pelo mundo se formos fiéis a Nosso Senhor, seguindo-lhe os passos e renunciando às ilusões deste mundo para alcançarmos nossa recompensa no Céu. O fato da alva descer até os pés significa que devemos perseverar nas boas obras. E o símbolo da pureza que o padre deve ter ao rezar a Santa Missa e que os fiéis dever também ter ao assisti-la.
    Alva

     
  7. O que é o cíngulo?
    O cíngulo é uma corda com a qual o sacerdote aperta a alva na altura da cintura. Remete-nos aos açoites da flagelação de Nosso Senhor, bem como a corda com a qual amarraram Nosso Senhor para puxá-lo. Lembra-nos as virtudes da fortaleza e da castidade.
     
    Cíngilo

  8. O que é o manípulo?
    O manípulo é um pano que o sacerdote traz no braço esquerdo. Sua origem está no fato de que os filósofos gregos levavam no braço um pano para enxugarem o suor do rosto quando ensinavam nas praças; bem como no fato de que os trabalhadores também levavam um pano no braço para enxugarem o suor do rosto enquanto trabalhavam. Remete-nos às cordas que ataram as mãos de Nosso Senhor. Lembra-nos a autoridade que o sacerdote tem para pregar a verdade, bem como de que devemos trabalhar para conseguirmos o Céu, fazendo boas obras.
    Manípulo

     
  9. O que é a estola?
    A estola é um ornato que o sacerdote traz em torno do pescoço e que cruza sobre o peito. Remete-nos à Cruz que Nosso Senhor carregou. Ela é o símbolo da dignidade e do poder do sacerdote, e nos lembra o respeito que devemos ter para com os padres. O fato da estola ser cruzada no peito do sacerdote significa também a troca que os judeus e gentios fizeram na crucificação de Jesus Cristo, passando os judeus da mão direita para a esquerda e os gentios da mão esquerda para a direita de Deus.
    Estola

     
  10. O que é a casula?
    A casula é um manto aberto dos lados e que o sacerdote põe por cima de todos os outros paramentos. Remete-nos ao pano vermelho com o qual os soldados romanos vestiram a Nosso Senhor, para zomba-lo (Jo. 19, 1-3). Lembra-nos a virtude da caridade, que deve animar as nossas obras e orações. Lembra-nos também o jugo da Cruz de Cristo que assumimos no Batismo. E por isso que se desenha uma cruz atrás da casula.
    Casula
Referências:
Extraído do “ Catecismo de Perseverança” ± Quarta parte,lição XII ± Abade Gaume ± Porto, Livraria Chardron, 1901, 4ë Edição.




Anexo:
Bula Quo primum tempore
Papa S. Pio V
14 de Julho de 1570

Pio Bispo
Servo dos Servos de Deus
Para perpétua memória
  1. Desde que fomos elevados ao ápice da Hierarquia Apostólica, de bom grado aplicamos nosso zelo e nossas forças e dirigimos todos os nossos pensamentos no sentido de conservar na sua pureza tudo o que diz respeito ao culto da Igreja; o que nos esforçamos por preparar e, com a ajuda de Deus, realizar com todo o cuidado possível.
     
  2. Ora, entre outros decretos do Santo Concílio de Trento cabia-nos estabelecer a edição e correção dos livros santos: Catecismo, Missal e Breviário.
     
  3. Com a graça de Deus, já foi publicado o Catecismo, destinado à instrução do povo, e corrigido o Breviário, para que se tributem a Deus os devidos louvores. Outrossim, para que ao Breviário correspondesse o Missal, como é justo e conveniente (já que é soberanamente oportuno que, na Igreja de Deus, haja uma só maneira de salmodiar e um só rito para celebrar a Missa), parecia-nos necessário providenciar, o mais cedo possível, o restante desta tarefa, ou seja, a edição do Missal.
     
  4. Para tanto, julgamos dever confiar este trabalho a uma comissão de homens eruditos. Estes começaram por cotejar cuidadosamente todos os textos com os antigos de nossa Biblioteca Vaticana e com outros, quer corrigidos, quer sem alteração, que foram requisitados de toda parte. Depois, tendo consultado os escritos dos antigos e de autores aprovados, que nos deixaram documentos relativos à organização destes mesmos ritos, eles restituíram o Missal propriamente dito à norma e ao rito dos Santos Padres.
     
  5. Este Missal assim revisto e corrigido, Nós, após madura reflexão, mandamos que seja impresso e publicado em Roma, a fim de que todos possam tirar os frutos desta disposição e do trabalho empreendido, de tal sorte que os padres saibam de que preces devem servir-se e quais os ritos, quais as cerimônias, que devem observar doravante na celebração das Missas.
     
  6. E a fim de que todos, e em todos os lugares, adotem e observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, decretamos e ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre, não seja cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o Missal publicado por Nós, em todas as Igrejas: nas Igrejas Patriarcais, Catedrais, Colegiais, Paroquiais, quer seculares quer regulares, de qualquer Ordem ou Mosteiro que seja, de homens ou de mulheres, inclusive os das Ordens Militares, igualmente nas Igrejas ou Capelas sem encargo de almas nas quais a Missa conventual deve, segundo o direito ou por costume, ser celebrada em voz alta com coro, ou em voz baixa, segundo o rito da Igreja Romana, ainda quando estas mesmas Igrejas, de qualquer modo isentas, estejam munidas de um indulto da Sé Apostólica, de costume, de um privilégio, até de um juramento, de uma confirmação apostólica ou de quaisquer outras espécies de faculdades. A não ser que, ou por uma instituição aprovada desde a origem pela Sé Apostólica, ou então em virtude de um costume, a celebração destas Missas nessas mesmas Igrejas tenha um uso ininterrupto superior a 200 anos. A estas Igrejas Nós, de maneira nenhuma, suprimimos nem a referida instituição, nem seu costume de celebrar a Missa; mas, se este Missal que acabamos de editar lhes agrada mais, com o consentimento do Bispo ou do Prelado, junto com o de todo Capítulo, concedemos-lhes a permissão, não obstante quaisquer disposições em contrário, de poder celebrar a Missa segundo este Missal.

     
  7. Quanto a todas as outras sobreditas Igrejas, por Nossa presente Constituição, que será válida para sempre, Nós decretamos e ordenamos, sob pena de nossa indignação, que o uso de seus missais próprios seja supresso e sejam eles radical e totalmente rejeitados; e, quanto ao Nosso presente Missal recentemente publicado, nada jamais lhe deverá ser acrescentado, nem supresso, nem modificado. Ordenamos a todos e a cada um dos Patriarcas, Administradores das referidas Igrejas, bem como a todas as outras pessoas revestidas de alguma dignidade eclesiástica, mesmo Cardeais da Santa Igreja Romana, ou dotados de qualquer outro grau ou preeminência, e em nome da santa obediência, rigorosamente prescrevemos que todas as outras práticas, todos os outros ritos, sem exceção, de outros missais, por mais antigos que sejam, observados por costume até o presente, sejam por eles absolutamente abandonados para o futuro e totalmente rejeitados; cantem ou rezem a Missa segundo o rito, o modo e a norma por Nós indicados no presente Missal, e na celebração da Missa, não tenha a audácia de acrescentar outras cerimônias nem de recitar outras orações senão as que estão contidas neste Missal.
     
  8. Além disso, em virtude de Nossa Autoridade Apostólica, pelo teor da presente Bula, concedemos e damos o indulto seguinte: que, doravante, para cantar ou rezar a Missa em qualquer Igreja, se possa, sem restrição seguir este Missal com permissão e poder de usá-lo livre e licitamente, sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura, e isto para sempre.
     
  9. Da mesma forma decretamos e declaramos que os Prelados, Administradores, Cônegos, Capelães e todos os outros Padres seculares, designados com qualquer denominação, ou Regulares, de qualquer Ordem, não sejam obrigados a celebrar a Missa de outro modo que o por Nós ordenado; nem sejam coagidos e forçados, por quem quer que seja, a modificar o presente Missal, e a presente Bula não poderá jamais, em tempo algum, ser revogada nem modificada, mas permanecerá sempre firme e válida, em toda a sua força.
     
  10. Não obstante todas as decisões e costumes contrários anteriores, de qualquer espécie: Constituições e Ordenações Apostólicas, ou Constituições e Ordenações, tanto gerais como especiais, publicadas em Concílios Provinciais e Sinodais; não obstante também o uso das Igrejas acima enumeradas, ainda que autorizado por uma prescrição bastante longa e imemorial, mas que não remonte a mais de 200 anos.
     
  11. Queremos e, pela mesma autoridade, decretamos que, depois da publicação de Nossa presente Constituição e deste Missal, todos os padres sejam obrigados a cantar ou celebrar a Missa de acordo com ele: os que estão na Cúria Romana, após um mês; os que habitam aquém dos Alpes, dentro de três meses; e os que habitam além das montanhas, após seis meses ou assim que encontrem este Missal à venda.
     
  12. E para que em todos os lugares da Terra este Missal seja conservado sem corrupção e isento de incorreções e erros, por nossa Autoridade Apostólica e em virtude das presentes, proibimos a todos os impressores domiciliados nos lugares submetidos, direta ou indiretamente, à Nossa autoridade e à Santa Igreja Romana, sob pena de confiscação dos livros e de uma multa de 200 ducados de ouro, pagáveis à Câmara Apostólica, bem como aos outros domiciliados em qualquer outro lugar do mundo, sob pena de excomunhão ipso facto e de outras penas a Nosso alvitre, se arroguem, por temerária audácia, o direito de imprimir, oferecer ou aceitar esta Missa, de qualquer maneira, sem nossa permissão, ou sem uma licença especial de um Comissário Apostólico por Nós estabelecido, para estes casos, nos países interessados, e sem que antes, este Comissário ateste plenamente que confrontou com o Missal impresso em Roma, segundo a impressão típica, um exemplar do Missal destinado ao mesmo impressor, que lhe sirva de modelo para imprimir os outros, e que este concorda com aquele e dele não difere absolutamente em nada.
  13. E como seria difícil transmitir a presente Bula a todos os lugares do mundo cristão e levá-la imediatamente ao conhecimento de todos, ordenamos que, segundo o costume, ela seja publicada e afixada às portas da Basílica do Prrincipe dos Apóstolos e da Chancelaria Apostólica, bem como no Campo de Flora. Ordenamos igualmente que aos exemplares mesmo impressos desta Bula, subscritos pela mão de um tabelião público e munidos, outrossim, do Selo de uma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, seja dada, no mundo inteiro, a mesma fé inquebrantável que se daria à presente, caso mostrada ou exibida.
  14. Assim, portanto, que a ninguém absolutamente seja permitido infringir ou, por temerária audácia, se opor à presente disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato, preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e proibição.
    Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições, saiba que incorrerá na indignação de Deus Todo-poderoso e de seus bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo.

Dado em Roma perto de São Pedro, no ano da Encarnação do Senhor mil quinhentos e setenta, no dia 14 de Julho, quinto de Nosso Pontificado.

Pio Papa V
 
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