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O SACRIFÍCIO PERFEITO - CRUENTO (MORTE NA CRUZ) PDF Imprimir E-mail

 

Morte na cruz

Vimos, na Quinta feira Santa, o sacrifício perfeito, de maneira incruenta, isto é, sem derramamento de sangue. Sacrifício em que Jesus oferece seu Corpo e Sangue.

Após aquela Ceia – misteriosa Ceia em que homens se alimentam de Deus – Jesus foi para o Horto das Oliveiras. Foi rezar. Como homem, foi preparar-se para o sacrifício cruento, em que seu Sangue (já oferecido) seria derramado até a última gota. É a cena da agonia no Horto.

E ali, enquanto Pedro, Tiago e João dormiam, Ele foi tomado de angústia mortal, chegando a pedir ao Pai que, se fosse possível, o livrasse daquele cálice de amargura, acrescentando, porém, "não se faça a minha vontade, e sim, a tua" – ensinando-nos como se deve rezar.

Então, um anjo o confortou. Mas, apesar disso, "seu suor se fez como gotas de sangue, correndo sobre a terra" (Lc 22, 24). É um fenômeno que em linguagem técnica chamamos "hematidrose", consiste em intensa vasodilatação dos capilares subcutâneos. Distendidos ao extremo, rompe-se em contato com milhões de glândulas sudoríparas. O sangue se mistura com o suor, e esta mescla poreja por toda a superfície do corpo.

A hematidrose é provocada por intenso abalo moral, "seguido de profunda emoção e grande medo". Depois de uma prova destas, a pele adquire extrema sensibilidade ao sofrimento. Assim, Jesus preparou-se, de fato, para ser, no dia seguinte, o homem das dores.

Alem disso, duas seitas religiosas, inimigas entre si, abertamente hostilizavam Jesus.

Os fariseus, conhecidos por seu formalismo, detestavam Aquele que, por mais de uma vez, os desmascarara, chamando-os de hipócritas. E desejavam a independência do país, pela qual Jesus não demonstrava grande interesse.

Os sacudeus davam-se bem com o governo, que lhes proporcionava favores. Por isso, também, para eles, Jesus não era o Messias ideal. Para estes, por sua doutrina, Jesus era revolucionário, perturbador da ordem.

Essas duas seitas eram minoritárias. Mas, com habilidade, a massa popular é facilmente conduzida. E foi o que aconteceu. Esta situação histórico-política, este fundo social e psicológico constituíram o cenário onde se desenrolou o drama da Paixão – sempre exatamente de acordo com tudo o que fora predito. .

Judas, com um beijo, entrega o Senhor. Pedro, o escolhido pelo Mestre para ser o chefe, nega-o três vezes – para, depois de um olhar de Jesus, chorar amargamente.

Jesus é levado a Anás. Este o passa para Caifás. Daí, vai ao tribunal de Pilatos. Enfim, nada há contra Ele. É mandado a Herodes, que o devolve a Pilatos. Mas de que o acusam? Se o pretexto religioso não interessa aos julgadores, troca-se o motivo. Já não se trata de religião, mas de política. Ele disse ser o "rei dos judeus". Aí está. Podem condená-lo. Pilatos pergunta-lhe o que é a Verdade e, levianamente, volta-se sem esperar a resposta.

E, já que é rei, Jesus é coroado – com uma coroa de espinhos. Como cetro, dão-lhe uma cana. É despido, esbofeteado, cuspido. "Deram-lhe a beber vinho com fel", que produzia torpor com diminuição da sensibilidade ao sofrimento. Mas Ele "não quis beber".

Na véspera, no Horto, a Vítima não se preparara para ser, depois, anestesiada. "Toda a cabeça esta enferma, e todo o coração abatido. Desde a planta do pé até ao alto da cabeça, não há nele nada são; tudo é ferida, e uma contusão, e uma chaga intumescida, que não está ligada, nem se lhe aplicou remédio para a sua cura, nem foi suavizada com óleo". (Is 1, 6).

Beberia seu cálice até o fim. Porque nossos pecados são muitos.

Entre Jesus e Barrabás, a multidão, manobrada, escolhe o criminoso. Jesus é crucificado. Entre dois ladrões. É morto e sepultado. Fora da cidade. Segundo detalhada narração dos quatro Evangelistas. (Mateus cap. 27)- (Marcos cap. 15) - (Lucas cap. 23) - (João cap. 19)

Comparem-se, agora , os trechos dos Evangelhos com estes, do Antigo Testamento:

Salmo 21 - "Oh Deus, Deus meu, por que me desamparastes? (...) Todos os que me veem escarnecem de mim. (...) Uma turba de malfeitores me cerca. Traspassaram as minhas mãos e os meus pés. (...) Repartem minhas vestes e lançam sortes sobre minha túnica."

Isaías 50, 6 - "Não voltei o meu rosto aos que me ofendiam e cuspiam".

Isaías 53 - "Ele não tem beleza, nem formosura, e vimo-lo e não tinha parecença do que era, e por isso não fizemos caso dele. Ele era desprezado e o último dos homens, um homem de dores e experimentado nos sofrimentos; e o seu rosto estava encoberto; era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele.

Verdadeiramente, ele foi o que tomou sobre si nossas fraquezas (e pecados), ele mesmo carregou as nossas dores; e nós o reputamos como um leproso e como um homem ferido por Deus e humilhado. Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas, cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós.

Foi oferecido (em sacrifício), porque ele mesmo quis, e não abriu a sua boca; como uma ovelha que é levada ao matadouro, e como um cordeiro diante do que o tosquia, guardou silêncio e não abriu sequer a boca" (....) "entregou a sua vida à morte, e foi posto no número dos malfeitores, e tomou sobre si os pecados de muitos, e intercedeu pelos pecadores".

Confirmando ser o "rei dos judeus", Jesus confessou-se o Messias prometido, o Cristo, o Salvador. Na verdade, por ser o Filho de Deus, Ele foi condenado. "Ele deve morrer porque se declarou Filho de Deus" (Jo 19, 8).

No alto do Calvário, o Cordeiro de Deus ofereceu o Sacrifício perfeito. Sacrifício de valor universal, para resgate de todos os homens, de todos os tempos. "Há um só Deus e um só medianeiro entre Deus e os homens, o Cristo Jesus feito carne que se entregou ele próprio como resgate, por todos" (1Tm 2, 5-6).

E entregou-se por todos os pecados: o original e todos os outros. "Jesus entregou ele próprio por nós, para nos remir de qualquer iniquidade" (Tt 2, 14). Para nos remir, desde Adão até o último homem (Hb 9, 15).

Se todos nós, inclusive a Virgem Maria, os apóstolos e os santos podemos, após a morte, reencontrarmo-nos com Deus, devemos isso, exclusivamente, ao sacrifício de Jesus. Por alto preço fomos comprados.

Despido para nos vestir da graça, morto para nos dar a vida, Sacerdote e Vítima, Ele mesmo se ofereceu. Ofereceu-se a si mesmo, Sacerdote coberto pelo próprio Sangue, de braços abertos no mais completo Ofertório, de braços abertos na mais perfeita oblação.

De seu lado ferido jorrou sangue e água. Daquela fonte de água viva (prometida à samaritana), jorrou o sangue redentor. A terra foi lavada. E uma semente brotou. Nasceu a Igreja. Para permanecer "até o fim dos tempos". Perpetuando a Paixão. Agora, de modo incruento. "Na tranquilidade." Na Paz que Ele nos deu, na Esperança que nos deixou, no Amor que nos salva.

Mas é preciso que participemos. Solidários na culpa de Adão, temos de ser solidários com Cristo - para sermos salvos. "Aquele que te criou sem ti, sem ti não te salvará", ensina Santo Agostinho.

Seremos "herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, com a condição de sofrermos com Ele, para com Ele sermos glorificados" (Rm 8, 17). "A fé sem obras é morta" (Tg 2, 17). E Deus "retribuirá a cada um segundo as suas obras". (Rm 2, 6).

 
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