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Grupos conservadores da Igreja Católica começam a manifestar oposição ao Papa Francisco PDF Imprimir E-mail

À medida que o papa Francisco dá o tom de seu pontificado, determinados grupos da Igreja já começam a manifestar certa oposição ao pontífice. No jornal italiano “Corriere della Sera”, artigos do historiador e escritor Vittorio Messori com fortes críticas ao pontífice são exemplos do incômodo gerado pelo novo papa. O doutor em teoria litúrgica Adolfo Ivorra e o magistrado italiano Antonino Caponnetto são outros oponentes explícitos.

Em seu artigo “El Papa y la confusión litúrgica”, Ivorra defende que “nunca podemos fazer do lava-pés um ‘gesto’ politicamente correto”. O autor se refere à inclusão feita pelo papa de uma mulher muçulmana na cerimônia e explica por que a conduta foi inadequada de seu ponto de vista.

Os últimos 50 anos da Igreja Católica foram marcados por uma opção forte pela doutrina e pela disciplina. O último concílio, realizado entre 1962 e 1965, primou por uma abertura e uma descentralização da instituição. No entanto, “essas mudanças, de alguma maneira, não foram enfatizadas nos últimos dois pontificados”, conta o professor de cultura da religião da PUC-Minas Edward Guimarães.

O discurso do papa – de desapego, respeito pelos pobres e simplicidade – impõe uma ruptura à cultura tradicionalista que havia sido instaurada na Igreja. Isso gera desconforto em determinados grupos, que não estão habituados a uma instituição mais despojada.

“Ele incomoda certos setores conservadores da Igreja porque coloca como central na vida da instituição a opção pelos pobres, sensibilidade que a Igreja já havia perdido. Além disso, acentua a importância da colegialidade (descentralização da Igreja) e dá ênfase à atuação dos leigos no cristianismo”, expõe o professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da UFJF Faustino Teixeira.

Dificuldades

Os desafios dos próximos anos serão grandes. “O papa tem a tarefa de traduzir uma Igreja alegre, esperançosa. Um dos mais graves problemas da humanidade é a apatia, e ele tem o cômpito de mudar isso”, opina Teixeira. Do ponto de vista social, o papa deverá enfrentar uma Igreja acostumada ao conforto, que está sendo provocada ao desapego e à simplicidade.

A descentralização também será uma das grandes tarefas do papa. “Isso já existe em muitos grupos dentro da Igreja, mas somente em campos mais capilares. O que se espera do novo pontificado é o reconhecimento oficial desse trabalho”, afirma Guimarães.

A maior oposição virá de grupos que não concordam com o envolvimento da Igreja em questões políticas. “Esses grupos são fortes até economicamente, pois receberam, nos últimos anos, o apoio de classes mais privilegiadas que não querem transformações sociais”, diz o professor da PUC.

Determinante para o andamento dos fatos será o circuito de apoios dos quais o pontífice está se cercando. “Ele só pode reagir criando um grupo representativo”, afirma Teixeira. Ao que tudo indica, o papa já começou a traçar essas alianças. Uma evidência disso foi sua escolha por oito cardeais que o ajudarão a identificar qual caminho a reforma na Cúria Romana deverá tomar.

 
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