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Dom Schneider diz que católicos tradicionais não são “extremistas”, mas a esperança para o futuro PDF Imprimir E-mail

Dom Athanasius Schneider, numa entrevista publicada no site Catholic Herald, disse que “estamos na quarta grande crise da Igreja“. Confira abaixo os pontos mais importantes desta entrevista.

Dom Athanasius indica que esta crise é encabeçada pelos liberais que se instalaram na Igreja, que colaboram com o que é chamado de “novo paganismo” e que está na verdade levando a Igreja Católica a uma divisão. Neste processo vemos algo como o que aconteceu na heresia ariana do quarto século, na qual “uma grande parte da hierarquia da Igreja estava envolvida”.

A raiz desta crise, diz ele, é a “banalização” e a falta de cuidado que o clero, inclusive aqueles em posição de autoridade, e também leigos têm tido para com o Santíssimo Sacramento, o que os está levando a uma secularização.

“A Eucaristia está no coração da Igreja”, disse. “Quando o coração está enfraquecido, o corpo todo está fraco”. Ele acredita firmemente que receber a Sagrada Comunhão nas mãos contribui gradualmente para a perda da Fé na Presença Real e na transubstanciação.

“Parece que a maior parte do clero e dos bispos está satisfeita com o costume moderno da distribuição da Comunhão na mão… o que é tremendo! Como é possível distribuir a Comunhão na mão quando é Jesus que está presente nestas pequenas Partículas?

Existe o doloroso fato da perda de fragmentos da Eucaristia, que logo após caírem são esmagados com os pés. Isto é horrível! Nosso Deus, em nossas igrejas, sendo frequentemente pisoteado! Nesta hora os bispos deveriam erguer suas vozes em defesa de Jesus Eucarístico que não possui voz para defender-se. Eis um ataque ao que é mais Santo, um ataque à Fé na Eucaristia”.

Ele reconhece que temos estado mergulhados nesta crise nos últimos 50 anos, (desde o Concílio Vaticano II), com sua grande confusão doutrinária e litúrgica. Um exemplo claro desta “confusão” é a expectativa do Sínodo Extraordinário que ocorrerá em outubro de 2014 em Roma:

“Penso que este assunto da recepção da Sagrada Comunhão pelos recasados trará grande impacto e mostrará a verdadeira crise da Igreja. A verdadeira crise da Igreja é o antropoteísmo e o esquecimento do Cristo-centrismo… Eis o maior mal: 1) o homem, ou o padre, colocando-se no centro da Liturgia (em algumas igrejas o tabernáculo que abriga Deus é colocado num canto, enquanto o padre fica em posição de destaque), e 2) quando os padres mudam a verdade que Deus revelou, no caso com relação ao sexto Mandamento e a sexualidade humana“. (Neste caso se faz menção aos homossexuais e aos divorciados que vivem amasiados numa segunda união).

Dom Schneider é bastante crítico à tentativa de mudança das práticas pastorais (como distribuir comunhão aos que vivem em condição de pecado e pedem misericórdia). “É um tipo de sofisma. É comparável ao médico que receita açúcar ao diabético, mesmo sabendo que poderá matá-lo”.

Ele continua: “Infelizmente houve na História… membros do clero e mesmo bispos que acenderam incenso ante a estátua do imperador e de ídolos pagãos, ou os que entregaram cópias das Sagradas Escrituras para serem queimadas. Estes – e os clérigos ou católicos que colaboravam com estes – eram chamados em seu tempo de thurificati e traditores. Atualmente também existem na Igreja aqueles que colaboram ou que são os próprios traidores da Fé”.

Como consequência do clero e laicato liberais, Dom Schneider vê uma divisão que está para surgir. “Eu presumo que uma separação vai afetar os católicos em todos os níveis: desde os leigos até a alta hierarquia da Igreja, inclusive”.

Ele espera que esta divisão conduza a uma renovação da Igreja para as práticas tradicionais. O atual sistema “antropocêntrico” do clero (colocando o homem no lugar de Deus) vai entrar em colapso. “Este edifício clerical liberal será autodemolido pois não possui raízes e não dá frutos.” Dificilmente encontramos vocação em dioceses regulares e mesmo ordens religiosas.

O Bispo alerta que “os católicos tradicionais poderão, por um tempo, serem perseguidos ou discriminados mesmo por ordem dos que têm poder nas estruturas exteriores à Igreja.” Todos nós católicos tradicionais já estamos sendo fortemente perseguidos pelas pessoas que têm poder dentro da Igreja – cada um de nós pode contar sua própria história.

Ao final, ele diz, “o Supremo Magistério” vai reafirmar claramente a doutrina católica, e não vai continuar com as ideias do mundo neopagão. Foi a falta de clareza nos documentos do Vaticano II que levou a toda esta confusão.

Quando questionado se, como bispo, é difícil falar claramente sobre o que está acontecendo na Igreja, ele responde: “É pouco importante ser popular ou impopular. Para cada membro do clero, seu primeiro interesse deve ser popular aos olhos de Deus e não aos olhos da modernidade ou daqueles que têm poder. Nosso Senhor alertava: Ai de vós, quando falam bem de vós.“

Ele continua: “A popularidade é falsidade… Grandes Santos da Igreja, como São Tomás Morus e John Fisher rejeitaram a popularidade… ao contrário, aqueles que hoje estão preocupados com a popularidade da mídia de massa e da opinião pública… serão lembrados como covardes e não como heróis da Fé”.

Muitos “católicos” seguem o mundo pagão com suas práticas e são considerados “bons” católicos, enquanto “aqueles que são católicos fiéis ou que promovem a glória de Cristo na liturgia são rotulados de extremistas”.

Dom Schneider também levantou a questão da pobreza, que parece para os liberais a justificativa para se suplantar a moral e a sagrada liturgia. Vemos por exemplo como muitos católicos votam em presidentes que estão assassinando bebês que não nasceram, e justificam isso como sendo “supostamente” a favor dos pobres. Então o bispo ataca a ideia: “Isto é um enorme erro. O primeiro Mandamento que Cristo nos deu é adorar a Deus apenas, a Liturgia não é uma reunião de amigos. Nossa primeira obrigação é adorar e glorificar Deus na liturgia e também na vida. Partindo de uma verdadeira adoração e amor a Deus se aumenta o amor pelos pobres e pelas demais pessoas. É uma consequência”.

Ele finaliza dizendo que os católicos tradicionais que “têm tentado manter a pureza de sua Fé e eles representam o verdadeiro poder da Igreja aos olhos de Deus, e não aqueles que estão na administração”.

E conclui com uma colocação positiva: “eu não estou preocupado com o futuro. A Igreja é a Igreja de Cristo e Ele é a verdadeira cabeça da Igreja, o Papa é apenas o Vigário de Cristo. A alma da Igreja é o Espírito Santo, e Ele é poderoso”.

 
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