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CARTA DE SÃO BERNARDO INCITANDO FRANCESES E BÁVAROS A PARTIREM PARA A II CRUZADA PDF Imprimir E-mail

Com sua grande oratória, São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja, um dos maiores doutores do seu tempo, pregou a II Cruzada aos franceses e aos alemães.

Ele expõe o perigo que corre a Terra Santa. Ele começa mostrando a ofensa feita a Deus pelo fato da terra sagrada cair na mão dos adversários da Fé. Depois ele mostra que ali se deu a Encarnação do Verbo, a pregação de Nosso Senhor Jesus Cristo e toda a vida dEle.

E prova que cada um desses dados por si só bastaria para tornar maldito o povo que pretendesse conquistar a Terra Santa.

Depois ele mostra que não só tentam conquistá-la, mas destruí-la, que os maometanos são selvagens e as relíquias do tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo estão ameaçadas de destruição.

O pensamento se estabelece com lógica. São Bernardo, conhecendo a miséria humana, interpela os guerreiros. Que fazeis, bravos soldados, diante disto? Vós não fazeis nada? Vós tendes muitos pecados, é preciso expiá-los e a ocasião é muito boa.

Então fazei essa penitência, ide às Cruzadas.

Segunda razão: vós viveis vos matando uns aos outros. Já que vós gostais de combater eu vos apresento um combate justo contra um inimigo que merece ser combatido.

Por todas essas razões ide vós e tomai a Cruz. Esse é o sermão de São Bernardo.

<A meus senhores e caríssimos pais os arcebispos e bispos, a todo o clero e fiéis da França oriental e da Baviera, Bernardo, abade de Claraval, que o espírito de força abunde em vós.

Eu Vos escrevo por uma questão que se refere a Jesus Cristo e à vossa salvação. Eis, meus irmãos, um tempo favorável, um tempo de propiciação e de salvação.

O mundo cristão foi atingido pela notícia de que o Deus do céu vai perder sua pátria. Pois é o país onde Ele foi visto, Ele, o Verbo do Pai, instruindo os homens e vivendo entre eles, na sua forma humana, durante mais de trinta anos.

É o país que ele ilustrou com seus milagres, regou com seu sangue, adornou com as primeiras flores da Ressurreição. Hoje nossos pecados o fizeram cair nas mãos de ferozes e sacrílegos inimigos da Cruz cuja espada devoradora semeia por toda a parte a morte sobre a terra das antigas promessas.

Logo, logo, se ninguém se opuser a seu furor eles cairão sobre a própria cidade do Deus vivo, derrubarão os monumentos sagrados de nossa Redenção, macularão os lugares santos que o Sangue do Cordeiro sem mancha outrora regou.

Já no seu ardor sacrílego eles estendem a mão para se apoderar, oh dor, do leito sobre o qual Aquele que nos deu a vida fechou os olhos por nós, nos braços da morte.

Então, generosos guerreiros, servidores da Cruz, abandonareis o Santo dos Santos aos cães e jogareis pérolas tão preciosas aos porcos?

Quantos pecadores penitentes nesses lugares lavaram suas iniquidades com lágrimas e obtiveram o perdão, desde que a espada de vossos pais afastou os pagãos que as desonravam!

O inimigo da salvação percebe-o e se contorce de dor; esse espetáculo é para ele um tormento, ele range os dentes de raiva, mas ao mesmo tempo ele suscita povos que são vasos de iniquidade e se prepara para destruir até os últimos vestígios de tantos santos mistérios.

Se, que Deus não o permita, ele conseguir se apoderar desses lugares santos entre todos, essa desgraça irreparável permanecerá por todos os séculos vindouros como um fonte de dores incessantes, e para nós, uma causa de vergonha e infâmia.

Seja como for, meus irmãos, haveria de se acreditar que o braço de Deus ficou curto, que sua mão tornou-se impotente para nos salvar, e que Ele tem necessidade do auxílio de miseráveis vermes da terra como somos nós, para restabelecer e proteger sua herança?

Não tem Ele doze legiões de anjos a seu serviço, e não pode Ele com uma só palavra liberar sua pátria?

Ele pode fazê-lo, a coisa é certa, pois para Ele basta desejá-lo. Mas, deixai-me vos dizer que Ele quer vos provar hoje e garantir que entre os filhos dos homens, há alguns ainda que compreendem suas vias, procuram se engajar nelas, e deploram o triste estado em que sua causa caiu.

Pois, na sua misericórdia ele se apraz em oferecer a seu povo o meio de reparar as faltas enormes de que se tornou culpado.

Lançai, oh pecadores, lançai um olhar de admiração sobre os meios de salvação que o Senhor vos oferece, e sondai com confiança os abismos de sua misericórdia.

Tende certeza de que, em lugar de querer vossa morte, ele vos prepara os meios de conversão e salvação, pois seu desejo é de vos salvar e não de vos perder.

Não há senão um só Deus, com efeito, que possa criar semelhante ocasião para a salvação de homicidas e ladrões, de adúlteros e perjuros, enfim de homens maculados por toda espécie de crimes, lhes conferindo o meio de cooperar com seus desígnios todo-poderosos como se fosse um povo inocente e justo.

Eu vejo, pois, nesta conduta do Deus das misericórdias um grande sinal de confiança para vós, pecadores. Pois, se Deus quisesse vos castigar, ele recusaria vossos serviços em lugar de reclamá-los.

Mais uma vez, considerai os tesouros de bondade do Altíssimo e refleti sobre seus desígnios cheios de misericórdia.

Ele dispõe assim as coisas que possui: ele finge ter necessidade de vosso auxílio para poder vir em vossa ajuda; ele quer ser vosso devedor a fim de pagar vossos serviços pela remissão de vossos pecados e pelo dom da vida eterna.

Eu não saberia felicitar suficientemente a geração que vê encontra um tempo tão propício para a salvação, e encontra este ano de propiciação fácil e de jubileu. Já uma multidão de cristãos ressente os efeitos e vá em massa a pedir o sinal da salvação.

É a vós agora, povo rico e fecundo em jovens e valorosos guerreiros, a vós de quem o mundo inteiro conhece a glória e celebra a coragem, é a vós que vos cabe vos levantar como um só homem, cingir vossos rins com as armas abençoadas dos cristãos.

Renunciai a esse gênero de milícia, para não dizer de malícia inveterada que grassa entre vós, e que vos arma tão freqüentemente e vos precipita uns contra os outros para vos exterminar com vossas próprias mãos.

Com quanto furor e quanta crueldade, oh como sedes desditados!, afundais vossa espada no corpo de vosso semelhante e lhe fazeis perder a vida da alma no mesmo tempo que a vida do corpo !

Ai! O vencedor nestas lutas não tem do que se glorificar de uma vitória onde ele feriu de morte sua alma com a mesma espada que matou seu inimigo. Não é um ato de bravura, mas um verdadeiro acesso de loucura que vos impulsiona nas incertezas de semelhantes combates.

Eu vos ofereço, hoje, povo belicoso e bravo, uma bela ocasião de combater sem vos expor a perigo algum, de vencer com verdadeira glória e de morrer com vantagem.

Se vós vos entregais aos negócios, se vós procurais especulações vantajosas, eu não saberia vos indicar uma mais bela ocasião de fazer um comércio frutífero, não a deixeis passar.

Cruzai-vos, irmãos meus, e vós tereis a certeza de ganhar a indulgência de todos os vossos pecados confessados com um coração contrito.

Esta Cruz de pano não vale grande coisa se considerada em termos de dinheiro. Mas, colocada sobre um coração devotado, ela não vale menos que o Reino dos Céus.

Felizes, pois, aqueles que já se cruzaram, felizes também aqueles que seguindo o exemplo dos primeiros farão questão de pôr sobre seu peito o sinal da Salvação!

Assim seja.

(São Bernardo de Claraval, “Obras Completas”, Carta nº CCCLXIII, “Ao povo e ao clero da França oriental”, ano 1146 [excertos]).

 
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