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MEDITAÇÃO CRISTÃ - ARTIGO ESCRITO POR RONALD MAGRI PDF Imprimir E-mail

Existem diferentes níveis de oração, como deixam claro Santa Teresa de Jesus, doutora da igreja, o e Pe. Antonio Royo Marin, na sua monumental "Teologia da Perfeição Cristã", desde a oração vocal até a contemplativa, que é o mais elevado. A oração vocal e a mental são básicas, necessárias e suficientes para a maioria das almas. Mas para os místicos, vocacionados a uma alta perfeição na vida contemplativa, há a possibilidade de subir aos níveis mais elevados, culminando com a contemplação infusa, em que a oração se consuma numa união sem palavras, no puro amor de Deus. Para usar uma imagem humana, na união amorosa entre os esposos toda conversa se faz supérflua, o que não significa menosprezar nem abolir o diálogo.

Por outro lado, importa não confundir forma e conteúdo. Budistas e muçulmanos usam os seus rosários. Significa isto que o rosário deve ser abolido como coisa pagã? Não, o rosário católico é radicalmente diferente dos rosários pagãos, e representa, por si só, um caminho de salvação. Hindus e judeus praticam o jejum. Deve por isso o jejum ser proscrito aos cristãos? Não, o jejum é bom em si, tanto que Nosso Senhor dele nos deu exemplo.

Da mesma forma, o silêncio da mente é uma forma de jejum interior, um esvaziamento de si mesmo, para que a alma possa ser preenchida pela Divina Presença. É disto que fala São João da Cruz no seu poema sobre a "noite escura" da alma.

Portanto, importa não confundir as "técnicas" de propiciar o silêncio da mente, que são neutras, com os "objetivos" com ela buscados, que nas religiões asiáticas são obviamente diferentes dos da tradição cristã. O que se chama impropriamente de "meditação" (contemplação, em linguagem teológica mais precisa) tem foros de legitimidade antiquíssimos no cristianismo, e não precisa de empréstimos nem de sincretismos espúrios, muito embora possa haver similaridades e analogias nos meios, que são meras técnicas, de propiciar-se a quietude do corpo e da mente durante a oração.

É claro que a vida de oração é um caminho de crescimento espiritual paulatino, que depende do esforço e da Graça. Ninguém pode arvorar-se em "contemplativo" sem uma completa conversão de vida, sem a freqüência dos sacramentos, e sem percorrer todos os níveis da oração, a começar da vocal.

O grande equívoco dos "meditadores" modernos - mais até que o sincretismo com práticas orientais - é pensar que podem "esvaziar" a mente enquanto continuam a viver em pecado. Se o conseguirem, sua situação será como a daquele homem, referido no Evangelho, do qual saiu um espírito imundo, que depois de andar por lugares áridos retorna à sua casa, que acha limpa e arrumada, trazendo consigo outros sete espíritos ainda piores. A alma, como a natureza, aborrece o vazio. Se não for preenchida pelo amor de Deus, que é a sua vocação e destino, se-lo-á pelo maligno. (Por Ronald Magri)

 
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