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Cardeais apresentam propostas para a reforma da Cúria Romana PDF Imprimir E-mail

Com o passo paciente, mas decidido que a matéria em discussão pede, toma corpo a reforma da Cúria Romana proposta pelo papa Francisco. Após 17 sessões com os cardeais do chamado grupo C9, o texto vai tomando forma e força.

E o recado está claro: entre segunda-feira (12) e quarta-feira (14), os cardeais definiram que "os dois temas fundamentais que emergiram como linhas-guia para reforma são o espírito missionário e a sinodalidade", disse o porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

Nestas linhas, deverá uniformizar-se a inteira arquitetura da cúria, pela qual será criada uma nova constituição que substitua integralmente a "Pastor Bonus". A constituição apostólica de 28 de junho de 1988, o mais alto documento emitido pelo Vaticano, estipulava o funcionamento da parte governamental e de divisão de poder do Estado.

Nas questões religiosas, o foco missionário quer uma Igreja aberta e como um hospital de campo como deseja o Papa. A sinodalidade mostra uma maneira de caminhar e de decidir juntos quais são as reformas que a Igreja deve abraçar.

Esses dois pontos principais colocam a reforma que Jorge Mario Bergoglio está tentando implantar na esteira do Concílio Vaticano II.

A importância que a reforma deverá dar à dimensão sinodal é passível de compreensão após a resposta de Burke à pergunta se, durante este C9, foi debatido o caso dos quatro cardeais que questionaram o Pontífice sobre as cinco "dúvidas" sobre a exortação apostólica "Amoris laetitia".

Segundo Burke, o tema não entrou em pauta porque "para o Papa, está suficientemente claro o que o Sínodo falou, o que o Espírito falou". O texto divulgado pelo líder católico em abril - e criticado pelos conservadores - tem como base as discussões do Sínodo sobre as Famílias e o Sínodo Extraordinário sobre as Famílias, organizados pelo Vaticano.

Na reunião desta semana, participaram todos os cardeais escolhidos pelo Papa e que trabalharam também na questão dos dicastérios, como os "ministérios" do Vaticano são chamados, e em particular, sobre a Secretaria de Estado e o papel do secretário.

No documento "Pastor Bonus", está apenas destacada as relações entre a primeira e a segunda seção da Secretaria e a coordenação - as congregações para a Evangelização dos Povos, Bispos e Igrejas Orientais.

Os religiosos deram ao sucessor de Bento XVI as suas propostas definitivas nas questões relacionadas às congregações para a Doutrina da Fé, os Institutos de vidas consagradas, para as Causas dos Santos, e os Pontifícios Conselhos para a unidade dos cristãos.

Isso significa que os debates do C9 sobre esses dicastérios foi concluído e agora aguardam-se as decisões do Papa. No quesito que toca às relações, houve muito debate sobre as questões do "papel dos laicos" nesses quesitos.

"Convido a todos a reler um documento que não tem 'laicos' no título, mas que é fundamental: a carta do Papa, do mês de março, ao cardeal Ouellet", disse ainda Burke referindo-se a um documento enviado para a Pontifícia Academia para a América Latina, na qual, o líder católico denunciava com força os "desastres do clericalismo".

A próxima reunião dos cardeais está agendada entre os dias 13 e 15 de fevereiro de 2017.

 
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