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Em discurso no Egito, Papa Francisco diz que terrorismo é "falsificação idolátrica de Deus" PDF Imprimir E-mail
Em um discurso iniciado com a tradição saudação árabe “Assalamu ‘alaikum” (“Que a paz esteja com vocês”), o papa Francisco fez uma dura crítica nesta sexta-feira (28) ao terrorismo religioso, ao visitar no Cairo a Universidade de Al-Azhar, centro de referência de estudos teológicos do Islã.   


Falando a dezenas de participantes da Conferência Internacional pela Paz e ao lado do imã Ahmad al-Tayyib, o Papa disse que, “como religiosos, é nosso dever desmascarar a violência que se disfarça de suposta sacralidade”. “Somos obrigados a denunciar as violações contra a dignidade humana e os direitos humanos, a levar luz às tentativas de justificar qualquer forma de ódio em nome da religião e a condená-la como falsificação idolátrica de Deus”, afirmou Jorge Mario Bergoglio. “Somente a paz é santa, e nenhuma violação pode ser perpetrada em nome de Deus, porque profanaria seu nome”, garantiu. Ao lado do imã islâmico, o líder católico também demonstrou união no combate ao terrorismo. “Repetimos um forte e claro ‘não’ a qualquer forma de violência, vingança ou ódio cometida em nome da religião ou em nome de Deus. Juntos, afirmamos a incompatibilidade entre violência e fé, entre acreditar e odiar.   


Juntos, declaramos a sacralidade de toda vida humana contra qualquer forma de violação física, social, educativa ou psicológica”, disse.   


Em seu discurso, Francisco também criticou o populismo demagógico, ressaltando que ele “que não ajuda a consolidar a paz e a estabilidade”. Já o imã sunita disse que o “islã não é uma religião de terrorismo, como nem o cristianismo nem o judaísmo são”. A visita do Papa à Universidade Al-Azhar, o mais prestigioso centro acadêmico do mundo sunita, era um dos compromissos de maior expectativa em torno da viagem de Francisco ao Egito. O Papa aterrissou no Cairo por volta das 9h02 no horário de Brasília nesta sexta-feira (28), em sua primeira viagem internacional em 2017, com o declarado objetivo de promover a paz entre as religiões e tentar apaziguar o clima de guerra e perseguição religiosa no país.   


“Essa será uma viagem de união, de fraternidade”, disse o líder católico aos jornalistas que o acompanharam no voo de Roma à capital egípcia, confessando nutrir “uma expectativa especial para essa visita”, já que parte de um convite de todas as lideranças do Egito, desde o presidente Abdel Fattah al-Sisi, até o Papa Tawadros II, da Igreja Ortodoxa de Alexandria, e pelo próprio imã sunita. Caças da Força Aérea egípcia escoltaram o avião da Alitalia que levou o Papa. A segurança no aeroporto do Cairo também foi reforçada de maneira sem precedentes, já que o país enfrenta vários atentados terroristas cometidos por grupos extremistas, entre eles o Estado Islâmico (EI), que explodiu há 20 dias duas igrejas cristãs coptas, matando mais de 30 pessoas. “Os caças escoltaram o avião desde sua entrada no espaço aéreo egípcio, enquanto helicópteros monitoravam ruas próximas ao aeroporto e por onde o comboio do Pontífice passará pelo Cairo”, disseram fontes locais. Logo após chegar ao país, o Papa foi recebido no palácio presidencial por Abdel Fatta al-Sisi com uma cerimônia militar na presença de ministros, entre eles o chanceler Sameh Shoukry.   


Em seguida, o líder católico se dirigiu à Universidade Al-Azhar.  

 
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