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O PODER DA MÚSICA PDF Imprimir E-mail

"O rock é uma expressão básica das paixões que, em grandes platéias, pode assumir características de culto ou até de adoração, contrários ao cristianismo." (Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI)

É muito comum encontrar pais que não se importam que seus filhos passem horas ouvindo Rock a todo volume, porque consideram que "não há mal nenhum nisso". Eles, quando eram moços, se acostumaram (ou viciaram) a ouvir talvez músicas românticas ou canções sensuais de jazz. Tocavam-nas quando seus filhos eram pequenos. Agora, os jovens cresceram e inconscientemente tiraram as consequências dos princípios musicais e educativos que receberam: ouvem apenas Rock.

Do romantismo sentimental ao Rock frenético, passando pela etapa intermediária do jazz sensual, há uma lógica coerente que a alma percorre, ainda que inconscientemente.

O próprio Rock registra, com maior velocidade porém, estas mesmas etapas em seu caminho. Tendo começado com músicas e letras sentimentais, logo chegou ao frenesi e ao abismo do mal. Não é por acaso que a canção considerada o "hino oficial" do Rock - "Stairway to Heaven" - passa também, por essas fases: sentimental, sensual, frenética. (Outras razões houve para designar-se essa canção como o "hino" do Rock. Nós as examinaremos mais adiante).

É também comum encontrar jovens que, informados do que significam as letras das canções que ouvem, afirmam que não entendem suas letras, que se interessam apenas pelo ritmo ou, bem raro, pela "melodia".

Não se apercebem de que a música tem profundos efeitos na alma humana. É evidente que ao ouvir ou ler esta afirmação eles a põem em dúvida. Entretanto, reconhecem que o Rock os entusiasma e os deixa euforicamente excitados. Têm que reconhecer também que há músicas próprias a filmes de terror, que inclinam a alma para o medo do desconhecido. Que há outras que são compatíveis com cenas amorosas e sentimentais. Não poderão negar que certas músicas produzem melancolia e tristeza, outras despertam alegria, outras ainda entusiasmo.

A música, portanto, é criadora de estados de alma, os quais fazem nascer idéias correlatas em nossas mentes. Quem permite que uma música crie em sua alma um estado de melancolia e tristeza naturalmente terá tendências à tristeza e à melancolia, por isso mesmo, idéias melancólicas, tristes e pessimistas.

Fica então patente que uma canção, por si só, sem levar em conta a sua letra, cria estados de ânimo e suscita idéias.

Tinham pois muita razão os filósofos gregos ao darem à música um importante papel na educação e formação dos jovens. Aristóteles prevenia que "pelo ritmo e pela melodia nasce uma grande variedade de sentimentos" e que "a música pode ajudar na formação do caráter" e que "se pode distinguir os gêneros musicais por sua repercussão sobre o caráter. Tal gênero, por exemplo, leva à melancolia, tais outros sugerem o desânimo ou domínio de si mesmo, o entusiasmo ou alguma outra disposição já mencionada. (Citação de Aristóteles - apud W. Matt - Le Rock'n Roll, instrument de Revolution et de subversion culturelle - Ed St. Raphael Sherbrooke, Quebec, 1981 pag. 6)

Platão é ainda mais claro. No diálogo República, ele adverte que a música forma ou deforma os, caracteres de modo tanto mais profundo e perigoso quanto mais inadvertido. A maior parte das pessoas não percebe que a música tem o poder de mudar o coração dos homens, e que assim, pouco a pouco, molda a sua mentalidade. Mudando as mentalidades, a música termina por transformar os costumes, o que determina a mudança das leis e das próprias instituições. Por isto dizia Platão que é possível conquistar ou revolucionar uma cidade pela mudança de sua música.

"Toda inovação musical é prenhe de perigos para a cidade inteira"... "não se pode alterar os modos musicais sem alterar, ao mesmo tempo, as leis fundamentais do Estado". (Platão, República, Livro III)

Para Platão, a educação musical é a mais poderosa, porque permite introduzir na alma da criança, desde a mais tenra infância, o amor à beleza e à virtude. A pessoa bem educada musicalmente mais facilmente perceberia a beleza e a harmonia. E como não há amor sem ódio, ela também odiaria o feio e o mal. E pergunta Platão: "Não saberá (tal pessoa) louvar o que é bom, receber o bem com deleite e, acolhendo-o na alma, nutrir-se dele e fazer-se um homem de bem, ao mesmo tempo que detesta e repele o feio desde criança, mesmo antes de poder raciocinar? E assim quando chegar a razão, a pessoa educada por essa forma a reconhecerá e acolherá como uma velha amiga". (Platão, República, Livro III)

Bem educados musicalmente, continua Platão, os jovens crescerão numa terra salubre, sem perder um só dos eflúvios de beleza que cheguem aos seus olhos e ouvidos, procedentes de todas as partes, como se uma aura vivificadora os trouxesse de regiões mais puras, induzindo nossos cidadãos, desde a infância a imitar a idéia do belo, a amá-la e a sintonizar com ela. (Platão, idem, ibidem.) Por isso, conclui Platão, não se deveria permitir que os artistas exibam "as formas do vício, da intemperança, da vileza ou da indecência, na escultura, na edificação e nas outras artes criadoras... " Não admitiremos que nossos guardiães cresçam rodeados de imagens de depravação moral, alimentando-se, por assim dizer, de uma erva má que houvesse nascido aqui e ali, em pequenas quantidades, mas dia após dia, de modo a introduzirem, sem se aperceber disso, uma enorme fonte de corrupção em suas almas". (Platão, idem, ibidem)

Platão insiste no poder insinuante da música de agir sem ser percebida, a ponto de conseguir destruir ou revolucionar uma sociedade, "pois é aí que a ilegalidade se insinua mais facilmente, sem ser percebida...sob forma de recreação, à primeira vista inofensiva".

"Nem, a princípio, causa dano algum, mas esse espírito de licença depois de encontrar um abrigo, vai-se introduzindo imperceptivelmente nos usos e costumes; e daí passa, já fortalecido, para os contratos entre os cidadãos, e após os contratos, invade as leis e constituições, com maior impudência, até que, ó Sócrates, transforma toda, a vida privada e pública". (Platão, República, Livro III)

É tão verdadeira essa análise do grande filósofo grego, que ela se aplica perfeitamente ao que aconteceu com os costumes de nossa sociedade. Até parece tratar-se de um autor atual descrevendo o que ocorre em nosso tempo.

Portanto, a música pode ter um salutar efeito formador ou pode ser destruidora.

Evidentemente, como é mais fácil destruir do que construir, os efeitos da música daninha são mais rápidos e eficazes que os da boa música. A corrupção estética e moral, embora degrau por degrau, vai mais rapidamente até os mais profundos abismos, do que a virtude em sua ascenção até os píncaros do heroísmo e da santidade.

Nesse trabalho de deformação e corrupção feito também através da música, no século XX, devemos salientar o papel do liberalismo que considera tudo pelo lado positivo e que, por isso, julga que nada deve ser proibido. O liberalismo é a "tolerância institucionalizada não só em certos casas ditas de "tolerância" como na própria sociedade. O liberalismo é o sistema da "tolerância". Por isso, os pais liberais permitem que os filhos tudo ouçam, sem qualquer restrição. Ora, à força de tudo ouvir, acaba-se por tudo aceitar, à força de tudo aceitar, acaba-se por tudo aprovar". (in Walter Matt, op. cit., pag. 22-23, nota 17 do tradutor, parodiando palavras de Santo Agostinho).

A aceitação do mal, a convivência com ele, leva o liberalismo, no fim, a aprovar todo vício, todo crime, todo absurdo, toda monstruosidade. Foi assim que a arte moderna ajudou a deformar o século XX. É assim que o Rock dominou a juventude mundial de nossos dias. Se há 50 anos tivessem dito que os netos dos fãs de Frank Sinatra iam ser entusiastas do "Black Sabbath" ou do grupo "Possessed", ninguém acreditaria. Mas, como a decaída se deu, degrau por degrau, até o abismo, todo o liberalismo aprovou.

Porque: "Vice is a monster of so frightfull mein

As to be hated needs but to be seen

Yet seen too oft, familiar with his face

We first endure, then pity, teh embrace"

(Alexander Pope)

("O vício é um monstro de aspecto tão horrível

que basta vê-lo para detestá-lo

Mas olhá-lo por demais acostuma-nos com seu rosto

Tolera do inicialmente, em seguida nos dá pena

por fim se o abraça".)

Esse foi o caminho da juventude face ao vício e à música no século XX.

 
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