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O QUE É A FÉ? - ARTIGO ESCRITO PELA CATEQUISTA MÔNICA ROMANO PDF Imprimir E-mail
FéA fé. O que vem em nossa cabeça quando pensamos em fé? Geralmente frase prontas como “ A fé move montanhas”, “Eu tenho fé que determinada coisa irá acontecer”, "Tenha fé”..etc..etc
 
Até este ponto, fé é apenas uma palavra muito pequena e não expressa o que realmente é a fé, aquela fé genuína que Jesus quer de nós. Ah... esta, esta fé é rara, é inexplicável, é aquela que de fato nos coloca à prova, é aquela que faz com que uma mãe seja capaz de parar um carro para que seu bebê não seja atingido, é aquela fé que fez Abraão sair de Ur na Caldeia e ir com toda sua casa para um lugar que ele nem sabia se existia, é aquela fé que fez com a mãe do pequeno Moisés o colocasse em um cesto no Nilo, povoado de crocodilos para salvar a vida dele, é aquela fé que o próprio Moisés teve de abrir o Mar Vermelho para que o povo passasse a pé enxuto.

É aquela fé que nos faz crer que as substâncias do pão e do Vinho são o Corpo e Sangue de Jesus.

Paralelo a esta minha explanação, chega a notícia da assinatura, desta vez do Papa Francisco, da Declaração  Conjunta sobre a Doutrina da Justificação. Declaração assinada entre católicos e luteranos, que durante muitos séculos foi ponto de discursão entre as duas denominações.

Enquanto para os luteranos “Sola Fide” , para nós, católicos, “A Fé e Obras”. Pessoalmente eu creio que com a doutrina cada vez mais sucumbida diante dos apelos mundanos, a declaração causa pouco impacto. Independente de assinatura da declaração!,

Luteranos continuarão batendo na tecla, “só a fé salva” e nós “ a fé sem obras é morta”.

É aí que a coisa fica aparentemente confusa, enquanto para os luteranos, basta ter fé em Jesus Cristo, basta ter fé e crer que pelo Seu Sangue derramado na cruz,  você já está automaticamente salvo, independente do que faça ou deixe de fazer.

Para nós, não. Além de ter esta fé e acreditar que a salvação já está de fato garantida pelo Sangue derramado, podemos e devemos sim, produzir obras que justifiquem esta fé, porque do contrário, bastaria apenas que Jesus ensinasse aos apóstolos a terem fé. Não precisariam ser instruídos, não precisaria deixar o Espírito Santo em Seu lugar para continuar até hoje a orientar. Porque fé é dom divino e gratuito.

Jesus disse que não veio para abolir a Lei de Moisés (10 mandamentos) tanto que isso é confirmado no Evangelho de São Lucas 18,18-22 “ E perguntou –lhe um certo príncipe , dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?

Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um que é Deus. Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe. E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde minha mocidade. Porém Jesus, ouvindo isso, disse lhe: Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens , reparte –o entre os pobres , e terás um tesouro no céu, vem e segue –me.” Neste caso, faltou o principal a fé.

Com este trecho eu ilustro que uma coisa de nada vale sem a outra. Na carta de São Paulo aos Romano que é usada como base para justificativa do “ só a fé salva” em seu texto mais abaixo existe a justificativa para a fé exercida com suas obras. “ Porque não são os que ouvem a Lei que são justos perante Deus, mas todos os que cumprem a Lei é que serão justificados” Rm2,13. “ Por enquanto nós sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei” Rm3,28 .

São Paulo reforça que Jesus morreu por todos, inclusive os gentios, que não tinham conhecimento da Lei, e portanto não poderiam colocá-la em prática, esses eram justificados pela fé em Jesus e acreditando, ou seja tendo fé que o Sacrifício feito por Jesus era estendido também a  eles.

“Então eliminamos a Lei através da fé? De modo algum! Pelo contrário, a consolidamos” Rm 3,31, ou seja , basta que apenas leia se com reta intenção a Palavra de Deus, para que sejamos instruídos, se tivermos preguiça e não lermos dentro do certo contexto, de fato , faremos a interpretação que mais nos agradar.

Em sua carta aos Romanos, São Paulo contrapõe e entra em conformidade com o Evangelho de Cristo, descrito pelos evangelistas, aqui escolhi o de Lucas. O jovem tinha a prática das obras, mas não teve a fé necessária para ter a vida eterna. Os gentios tinham a fé e precisavam das obras, mas desconhecendo as Leis, não podiam pratica- las. Poderiam assim ser excluídos da vida eterna? Não, é o que diz São Paulo, estes sim, estavam justificados pela fé. Agora os que praticavam a Lei poderiam abrir mão da pratica e seriam justificados pela fé? Não. E São Paulo foi categórico ao afirma lo.
 
Portanto, mais uma vez o que ensina a Madre Igreja, depositária da fé dos apóstolos é o que o que está em mais conformidade com o que pede Jesus, “ fé e obras”. Uma complementa a outra.
 
A fé é dom divino, gratuito, não importa o tamanho da sua fé, mas como você exercita a sua fé. Se eu fosse tornar viva uma imagem da fé, que é um sentimento abstrato, eu utilizaria o seguinte: “A fé é como um bloco duro e preto de carbono, onde o diamante mais puto está em seu interior, todos temos talhas para esculpí-lo (meios). Se ao começarmos a entalhar, machucamos nossas mãos no processo e desistimos, a fé continua lá, mas seu trabalho será e muito paralisado. Se persistirmos quanto antes viveremos a graça de encontrarmos o tesouro e nos rejubilarmos com ele.”
 

Portanto meus irmãos, temos cada um nosso bloco de pedra para talhar. Como fazemos isso não importa, se por meio de estudo, de orações, de experiências com Deus, e até pela dor... não importa, o que importa é : que não podemos parar.

 

Mônica Romano é catequista em Belo Horizonte, Minas Gerais, e colaboradora do portal Catolicismo Romano. 

 
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