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Na Rússia, representante do Papa Francisco debate crise síria com Lavrov PDF Imprimir E-mail
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serghei Lavrov, se reuniram em Moscou nesta terça-feira (22) e debateram as crises na Síria e na Ucrânia.   


“Foi um encontro franco e proveitoso. Conversamos sobre a cooperação bilateral e sobre os principais temas da agenda internacional. Explicamos a ele o que fazemos na Síria, o processo de negociação de Astana e a Santa Sé nos apoiou sobre a criação de zonas de exclusão”, afirmou o ministro russo em referência às principais medidas adotadas pelo governo no país do Oriente Médio.   


Diferentemente da coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos e que conta com a forte presença da União Europeia, a Rússia apoia a manutenção do regime de Bashar al-Assad e também ataca os “grupos rebeldes” que lutam contra o presidente – chamado de ditador pelos “ocidentais”. Por conta disso, os russos – ao lado da Turquia e do Irã -, negociaram um acordo de paz entre os rebeldes e Assad na cidade de Astana, capital do Cazaquistão, que está em vigor desde dezembro do ano passado. “Nós partimos do fato que é necessário buscar soluções análogas àquelas de Astana para assegurar a paz entre grupos étnicos e religiosos tanto no Oriente Médio como na África. E estamos de acordo que precisamos renovar as negociações entre Israel e Palestina”, acrescentou ainda Lavrov.   


Já sobre a Ucrânia, que vive uma crise desde que a Rússia anexou o território da Crimeia em 2014, o ministro agradeceu “pelo apoio” do Vaticano. “Devemos superar os conflitos para encontrar as soluções que são a base do acordo [de paz] de Minsk”, ressaltou o russo.   


Por sua vez, o número dois do Vaticano falou sobre o posicionamento do Estado sobre os temas.   


“Estou aqui para fazer-me intérprete com Serghei Lavrov e Vladimir Putin sobre a solicitude do papa Francisco sobre os relacionamentos bilaterais, em particular, para que sejam criadas soluções justas e duradouras para o Oriente Médio, para a Ucrânia e para outras regiões do mundo”, disse o religioso.   


“Em tais dramáticas situações, a Santa Sé se volta para aliviar as condições da população civil, mas também para fazer prevalecer a justiça, a verdade dos fatos e para não permitir a manipulação da realidade. [O Vaticano] não toma posições políticas, mas pede que seja respeitado o direito internacional e que se recupere uma atmosfera sã e de respeito entre as nações”, acrescentou Parolin.   


Por conta dessa postura, o religioso ressaltou que a Igreja “tem uma forte preocupação pelos cristãos no Oriente Médio e na África e a Santa Sé pede que seja preservado o direito de liberdade de religião”.   


Parolin ainda surpreendeu e falou sobre a crise na Venezuela, afirmando que o governo russo “pode ajudar a superar o momento difícil” naquele país por conta de sua “tradicional ligação” com a nação sul-americana. Segundo o secretário de Estado, apenas a “negociação e a conversa são estradas para sair da crise”.   


Por sua vez, o chefe da Diplomacia de Moscou afirmou que “todas as forças externas precisam chamar as partes envolvidas para a pacificação nacional levando em conta todos os interesses da população”.   


Em uma alfinetada contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lavrov destacou que “quem vai em outro caminho, e incluo as ameaças de intervenção, só atrapalha as tentativas de paz na Venezuela”. Recentemente, o líder de Washington afirmou que poderia fazer uma intervenção militar no país para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder – em notícia que foi rejeitada por todos os países vizinhos ao território venezuelano.   


– Boas relações: Os dois representantes ainda ressaltaram o bom relacionamento existente entre os líderes dos dois Estados.   


“Estou honrado e emocionado de estar aqui com vocês. Essa é uma ocasião propícia para verificar e consolidar as nossas relações bilaterais, que estão em alto nível, e por isso quer exprimir minha satisfação. O diálogo está ocorrendo em vários níveis locais, com as consultas políticas tradicionais entre os vice-ministros que se falam com regularidade”, disse o cardeal católico aos jornalistas.   


Por sua vez, Lavrov ressaltou que seu país e o Vaticano “tem proximidade nas visões sobre crises globais e sobre os temas de paz, de justiça social e de valores familiares” e elogiou a posição da Santa Sé de “não usar o fator religioso para obter vantagens políticas”.   


“Estamos felizes com esse encontro porque essa é a primeira visita na Federação Russa neste século de um secretário de Estado do Vaticano. As nossas relações estão crescendo, no maior nível até hoje. Além disso, estamos desenvolvendo os contatos entre as igrejas, como testemunhou o encontro entre o Pontífice e o Patriarca Cirilo I”, destacou ainda Lavrov.   


O chanceler russo se referia ao primeiro encontro na história, mais precisamente desde o ano de 1054, entre o líder da Igreja Católica de Roma e a Igreja Ortodoxa de Moscou, em reunião ocorrida em fevereiro do ano passado em Havana, Cuba.   


Essa, de fato, é a primeira visita de um alto representante da Igreja Católica à Rússia nos últimos 18 anos e o encontro é visto como uma maneira de aproximação entre os dois Estados.   


Rumores apontam que a ida de Parolin ao território russo, em viagem que ainda terá um encontro com o presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira (23), pode ser a preparação para uma histórica visita do papa Francisco.

 
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