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SOBRE A REDE GLOBO: SÓ TRAREMOS O POVO DE VOLTA À REALIDADE, SE DESTRUIRMOS O MONSTRO QUE OS ENGOLIU PDF Imprimir E-mail

A Rede Globo não é, desde muito tempo, uma poderosa emissora de televisão ou uma hegemônica força midiática. É mais do que isso. Seu poder é tão grande que transcendeu a fronteira da comunicação e do espetáculo, de tal modo que acabou tornando-se, ela própria, um jeito de ser, uma categoria do ser ou, se preferirem, um deus, cujo poder vai muito além da capacidade de cegar e imbecilizar a crianças e jovens, adultos e velhos. Seu inimaginável poder reside na capacidade de substituir o mundo real por mundos fictícios e invertidos, onde o inteligível é o ininteligível; o virtuoso é o viciado; o sagrado, o profano; o útil, o inútil; o moral, o imoral; a clareza, a confusão; o vital, o destrutivo; o belo, o feio e o humano, o inumano, o desumano e o diabólico.

A Rede Globo de Televisão é uma poderosa máquina de inversão da realidade, que foi, com a licença do gentil telespectador, tomando conta de seu pequeno tempo de ócio, depois, a manhã de seus filhos, a tarde de sua esposa, a noite da família e a madrugada, dele próprio, o gentil telespectador. Logo, não lhe restou tempo para outra coisa que não falar da novela; comentar a notícia fabricada; ocupar-se de jogos inúteis; dar risada de piadas idiotas até que, por fim estivessem todos eles, o gentil telespectador, seus filhos, filhas e esposa, vivendo do lado de lá da tela. Mas isso durou pouco. Não que tenham saído de lá, mas de lá, dentro do mundo fictício, cada um tomou o seu rumo virtual até que viram-se sozinhos, cada um em seu programa favorito.


Foi assim que Rede Globo abduziu uma nação inteira. Não pensem que o Brasil existe realmente. Não, não existe mais ninguém vivendo nesta antiga Terra de Santa Cruz. Estão todos dentro da televisão e, pasmem os amigos, todo e cada um vivendo a seu modo, sozinho com suas futilidades e suas linguagens incompreensíveis. O Brasil real está desocupado, mas, a grande tragédia é que o vazio da nação é equivalente ao vazio do indivíduo abduzido, que, seduzido por programas tão bons e de tanta tecnologia, nunca mais teve tempo para si mesmo e, deixando de pensar em como compreender-se, delegou poderes a que outros o fizessem. Foi então que Malhação passou a ser o jeito do jovem pensar; o Jornal Nacional, o pensamento do adulto.

Fátima Bernardes é quem pensa por nossas senhoras; Xuxa é o pensamento dos baixinhos, embora Xuxa nem exista mais, mas, refiro-me a “forma xuxa”, que ainda opera os cérebros infantis. O visitante ou o turista desavisado que, porventura venha a estas paragens poderá achar que estou inventando uma história, pois, as ruas estão cheias de automóveis, os restaurantes, de fregueses; as praias, de banhistas ou os hotéis cheios de hóspedes. Concluirá pelo fato de que os brasileiros estão todos onde deveriam estar, isto é, no mundo real. Mas, por ser desavisado, o acidental turista não verá que os corpos estão vazios. Está vazio o corpo dos que vão ao teatro, ao cinema, ao restaurante. Estão vazios os corpos do padre, do sacristão e do fiel. Está vazio o corpo do Juiz, do político e do eleitor, como está vazio o corpo do professor e do estudante. Suas almas estão perdidas entre um comercial de cerveja e uma análise política do Jabor; suas preocupações estão no futuro da seleção e na transa gay da novela das seis e seus olhos estão vidrados nas tatuagens de um big brother qualquer.

Este encantamento é tão profundo que – talvez -, já não seja possível trazer de volta a nação abduzida. Quem sabe quebremos-lhe o tudo de imagem, a tela de cristal de infinitas polegadas, quem sabe. O fato é que só traremos o povo de volta à realidade, se destruirmos o monstro que os engoliu, mas, a pergunta então será outra e mui terrível: em que estado de demência voltarão? Será possível que voltemos alguma vez a ser uma nação de seres conscientes e reais?

 

(Por Professor Bellet)

 
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