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Existe uma obrigação moral de dizer basta a tanto sofrimento e injustiça, diz cardeal Pietro Parolin

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"Não devemos nos esquecer, não devemos nos resignar". O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, lançou este apelo em face das notícias que continuam chegando das áreas em conflito no Oriente Médio; de forma particular, das zonas sob ocupação do grupo terrorista Estado Islâmico. Em entrevista publicada no Osservatore Romano, o purpurado reitera o compromisso da Santa Sé em favor das populações da região e lembra o consistório do próximo dia 20 de outubro, que, por desejo do papa Francisco, abordará esta delicada situação.

O secretário de Estado vaticano recorda na entrevista que o papa convocou os núncios apostólicos do Oriente Médio a dedicarem uma reflexão à "dramática situação que há tempo se vive na região e a manifestarem a solidariedade, dele e de toda a Igreja, para com as pessoas que sofrem as consequências dos conflitos em andamento".

Neste encontro, "foi possível um rico intercâmbio de informação e uma avaliação da situação a partir da experiência direta, para ponderar o que a Igreja pode fazer e o que pode ser pedido à comunidade internacional".

O cardeal explica, na entrevista, que, durante o encontro com os núncios, "escutamos com comoção e grande preocupação o testemunho das atrocidades inauditas perpetradas por muitos, acima de tudo pelos fundamentalistas do grupo denominado Estado Islâmico: as decapitações, a venda de mulheres no mercado, o recrutamento de crianças para combates sangrentos, a destruição de lugares de culto". São pessoas humilhadas em sua dignidade e submetidas a sofrimentos físicos e morais.

Parolin define a situação como "complexa" e observa que "o caminho da violência leva apenas à destruição; já o caminho da paz leva à esperança e ao progresso". Por isso, ele indica que o primeiro passo urgente em prol da população do Oriente Médio é "depor as armas e dialogar".

"Há uma obrigação moral, para todos, de dizer um basta a tanto sofrimento e injustiça e de começar um novo caminho, em que todos participem com direitos e deveres iguais, como cidadãos comprometidos com a construção do bem comum, no respeito das diferenças e dos talentos de cada um".

Por outro lado, o cardeal adverte que, no caso do Estado Islâmico, "seria necessário prestar atenção às fontes que garantem as suas atividades terroristas através de apoios políticos mais ou menos claros e através do comércio ilegal de petróleo e da provisão de armas e de tecnologia".

Além disso, "é lícito parar o agressor injusto, sempre que seja no respeito do direito internacional". Parolin acrescenta que "não se pode confiar a resolução do problema apenas à resposta militar": ele tem que ser enfrentado mais profundamente, a partir das suas causas, que são exploradas pela ideologia fundamentalista. Por esta razão, o cardeal reforça, na entrevista, que a comunidade internacional deverá agir para evitar possíveis genocídios e para dar assistência a numerosos refugiados que correm o risco de uma vida de fome e de uma morte lenta, mas inevitável.

Parolin destaca ainda que os líderes religiosos "podem e devem desempenhar um papel fundamental para favorecer o diálogo entre as religiões e as culturas e para incentivar a educação voltada à compreensão recíproca". Eles devem, além disso, "denunciar claramente a instrumentalização das religiões como tentativa de justificar a violência".

O secretário de Estado recorda, ao encerrar a entrevista, que "é necessária uma renovada vontade de solidariedade por parte da comunidade internacional e das suas estruturas humanitárias, a fim de se fornecer comida, água, teto, educação para os jovens e assistência médica para os refugiados em todo o Oriente Médio".

 

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