TRANSE CARISMÁTICO: SENTIMENTALISMO E DESDÉM PELA GRANDIOSIDADE DE DEUS - POR MARIO UMETSU

Transe carismáticoQualquer tipo de sensação pode ser alcançada dentro de um transe quando o sujeito crê ardentemente em uma imagem mental que pode lhe ser dada direta ou indiretamente por si, por outrem ou por uma determinada situação. O reconhecimento empírico desse estado mental depende da instrução específica de quem a ele se submete, podendo ainda ser totalmente ignorado assim que se inicia ou gradualmente conforme o mesmo se aprofunda.

É possível entrar em transe espontaneamente ilimitadas vezes ao dia, especialmente em momentos de grande emoção, ou em decorrência de já se ter aprendido a iniciar o processo. A alta frequência de ambientes misticistas pode deixar o sujeito assim. E é exatamente por isso que o depoimento de 'experiência pessoal', mística, aquele do 'sei porque senti e não estou mentindo" normalmente nem levanta suspeitas de veracidade para um hipnólogo experimentado e conhecedor de verdadeiros milagres.

Há uma distinção claríssima entre uma intervenção sobrenatural e um transe espontâneo, dado que aquele é sempre cercado de sabedoria, inconfundível demonstração da Vontade Divina, perfeita sintonia com a Tradição Apostólica e comunicação com a inteligibilidade humana. É uma semente de milagres. Assustador, só em grandeza. Confuso, só para os tíbios.

Atua no pensamento clerical atual uma corrente tradicionalista moderadamente relativista, que afirma que a manifestação dos verdadeiros carismas (que evidentemente existem) se dão em meio a um ambiente onde vários outros são fingidos, frutos de ilusão ou do próprio demônio, e caberia ao próprio experimentador de carismas a investigação da gênese dos seus próprios.

Acredito eu, logo de saída, que seja impossível alguém dizer uma só palavra segura sobre si se não conhece nada de hipnotismo, que é natural em todos os seres humanos. Depois, me parece uma imensa tolice crer que Deus permitiria uma manifestação sobrenatural tão semelhante a um transe, quando em dois tipos de situações Ele manifestou categoricamente sua grandeza: nos milagres, como de Lanciano, Calanda, Guadalupe e Fátima; e nos evangelhos, onde declara-Se a si mesmo como a própria Verdade e incumbe cada ser humano de usar a razão para medir e julgar todas as coisas, ficando com o que é bom por inteiro, sem meias-verdades.

Baseando a fé em experiência, é possível abraçar a toda religião ao mesmo tempo, já que a auto-indução é uma experiência acessível a qualquer um e que sempre trará a sensação de realidade, mas mesmo ao mais sincero católico leva a deformar os milagres a ponto de instalar a crença de que qualquer coisa é um milagre. Por consequência, a certeza na vagueza dos sentidos (já que a ilusão é tátil, gustativa, olfativa, auditiva e visual), e o ecumenismo desmedido.

Com a investigação que levantei e pretendo trazer a público através de vídeos, haverá a exposição e possível demonstração de como, repetidas vezes e quase sempre, um encontro pentecostalista carismático (nosso objeto de estudo) se inicia com todos os processos de um show de hipnotismo: o rapport, o pré-talk, a indução, a frequência rítmica da melodia das músicas, as palavras de ordem e enfim o falso êxtase místico, e a partir dele a simplicidade com que se pode provocar visões, aparições de Cristo, dos santos, dos anjos e até mesmo do diabo, além da possibilidade de se conversar com todas essas alucinações. Além disso, há o Toque de Charcot, a famosa indução que faz uma multidão inteira cair através de um contato físico ou um gesto.

 

(Artigo escrito por Mario Umetsu)