OS 500 ANOS DA NOCIVA "REVOLUÇÃO LUTERANA"

500 anos de Reforma Luterana: O título, em si, é um desserviço à inteligência, porque “reforma” esconde ou deforma o sentido de “revolução”. Então, já de cara, esclareço que entendo tal aniversário como uma “celebração revolucionária” no mais amplo sentido do termo. Digo isso porque reforma implicaria numa ação perpetrada dentro da Igreja, e não foi isso que aconteceu, como bem sabemos. Há que se notar, inclusive, que “reforma” nunca foi um termo estranho à Igreja. Todo grande santo foi em si mesmo um reformador. Impossível não lembrar que a história de santidade de Francisco de Assis começa quando Jesus lhe pede para que “reforme” sua Igreja.

O santo de Assis pensou, a princípio, que deveria colocar uns tijolos novos aqui e ali, um bom reboco sobre o antigo, trocar algumas telhas e assim por diante, mas o que Jesus lhe pedia era outra coisa. Uma autêntica reforma que visasse, mediante exemplo do bom Francisco, o retorno à humildade, penitência, caridade e justiça. E assim reformou a Igreja o Irmão Francisco. Mas, detalhe, sem dela sair, levando-lhes os bens como um ladrão na noite nem alterando-lhe os dogmas e, menos ainda, modificando as Sagradas Escrituras.

Quero dizer, com isso, que devemos, em primeiro lugar, distinguir o termo “reforma” de “revolução”, porque são coisas absolutamente distintas. Francisco de Assis e tantos outros santos foram reformadores por excelência, mas não Lutero. Os historiadores católicos nunca deixaram de reconhecer que a situação moral da Igreja, ao tempo de Lutero, era, sem dúvida, lastimável, tal como agora, por exemplo, em que até sobre Bergoglio pairam dúvidas se é ele um Papa legítimo ou não, tamanho foram os escândalos decorrentes da mal explicada renúncia de Bento 16 e das declarações do Cardeal Danneels, segundo as quais, Bergoglio teria sido eleito pela articulação de uma máfia cardinalícia. Nem por isso, saíram, os grandes e verdadeiro Príncipes da Igreja, tais como Walter Brandmüller, Joachim Meisner, Carlo Cafarra, Raymond Burke ou Robert Sarah, a criar novas igrejas e novos dogmas.

Seja o estado moral que prevaleça sobre a Igreja, em qualquer de seus momentos históricos, nenhuma degradação moral é suficiente para justificar um abandono ou uma debandada, mas, ao contrário: diante da degradação moral, ainda maior razão havia para que Lutero, (quanto para nós, atualmente), se mantivesse firme, como um bom filho a defender e recompor o que fora erigido por seu pai.

Lutero não visualizou nada diferente do que vemos hoje, com olhos bem católicos e abertos, pairar sobre a Igreja. Acaso não vemos hoje, como ontem, a proliferação de clérigos concubinários e desleixados? Acaso não está cheia a Igreja de Bispos simoníacos ainda hoje? É alguma novidade para o católico que a Igreja de Cristo está hoje, como no tempo de Lutero, infestada de Cardeais mundanos?

É, porventura, desconhecida a escravidão de Bergoglio à política e a ideologia marxista? Acaso não é esta situação um calvário para as consciências verdadeiramente cristãs? Sim, este é o calvário da Igreja em nossas consciências e é por isso que se têm levantado vozes autenticamente católicas em todos os lugares da terra. Aqui mesmo no Brasil, não temos padres e religiosos francamente perseguidos por protestarem contra as heresias e apostasias clericais?

Alguém, em sã consciência duvida que um Padre Paulo Ricardo, por exemplo, seja um reformador? Mas que tipo de reforma propõe o Padre Paulo Ricardo senão a volta à verdadeira tradição da Igreja, à conservação da fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e máxima obediência à sua Palavra? Padre Paulo está, por acaso, destruindo os dogmas da Santa Madre Igreja ou lutando, com a força do Espírito Santo, para conservá-los? Isso que faz o Padre Paulo, e tantos outros, chama-se reforma, e em nada se compara a reforma com o ato de rebelião ou revolução. O que fez Lutero, portanto, foi uma revolução e não uma reforma. Senão, vejamos:

1) Lutero nunca foi um autêntico católico. Entrou para a Igreja para fugir da justiça civil, porque havia matado um colega e, como temia ser condenado, escondeu-se, por assim dizer, num monastério agostiniano.

2) Lá, foi ordenado sacerdote contra a própria vontade.

3) Manifestou, em mais de uma ocasião, que detestava rezar a Santa Missa. Este fato nos obriga a concluir que sempre esteve na Igreja de má vontade, tornando nula a sua confissão e o seu credo.

4) Se nunca esteve definitivamente em comunhão com a Igreja, é falaciosa a ideia de que alguma vez desejou reforma-la. Não tinha nenhum amor pela Igreja fundada por Cristo e, portanto, só o que desejou foi a sua destruição.

5) E assim intentou fazer destruindo, primeiramente, o cannon da missa. Seu espírito rebelde não suportava o fato de que Jesus Cristo dera autoridade e poder aos sacerdotes para que, através deles, Ele mesmo transformasse o pão e o vinho em seu corpo e seu sangue.

6) Como não era católico de coração, não compreendia que Deus, apesar de infinitamente misericordioso, era também juiz. Por falta de fé, vivia em permanente tormento diante da dúvida da salvação eterna. Assombrava-lhe mais a ideia de um Deus verdugo do que um Deus misericordioso, e, por não poder compreender que as duas coisas eram, em Deus, uma e a mesma, resolveu criar uma igreja para si, que o consolasse com a imagem de um Deus falsificado, subtraído de sua santa justiça. Fê-Lo de tal modo que Dele promanasse somente a misericórdia, deixando para os católicos a outra metade indevidamente separada.

7) Separando-se do corpo místico de Cristo, precisou criar, ele mesmo, uma nova teologia que justificasse a sua insuperável crise espiritual. Surge então uma teologia voltada exclusivamente ao seu próprio consolo: uma interpretação bíblica que concordasse em tudo com as suas próprias inquietações, sem jamais corrigi-lo, e que o autorizasse, em tudo, a se rebelar contra a Tradição posto que aquela orientava que, para o caminho da salvação, se juntasse à fé, as obras exteriores da caridade, penitência e oração. Já que não sentia os efeitos das obras externas em seu crescimento espiritual, inventou, de própria razão, a falsa justificação de que somos salvos somente pela graça, contrariando a própria Bíblia.

Munido dessas ideias, atenta, finalmente, contra o “Mistério da Igreja” no que concerne ao relacionamento do homem com Deus. Aqui, portanto, chegamos ao ponto central de sua revolução: Lutero jamais percebeu que o Mistério da Igreja era assegurar ao homem, de modo objetivo, que este encontrava-se, objetivamente, em graça ou fora da graça de Deus e não fazê-lo sentir-se em graça. Lutero jamais entendeu esta sutil, porém decisiva, diferença. O que Lutero buscava, segundo Maritain, era “sentir-se” em graça. O que Lutero buscara sempre, sem jamais haver encontrado, era uma experiência subjetiva de salvação e não uma experiência objetiva.