A HORA E A VEZ DO SILÊNCIO – ARTIGO ESCRITO PELA CATEQUISTA MÔNICA ROMANO

Foi com grande alegria de recebi a reprodução de um documento do Vaticano, pedindo mais contenção no momento do Rito da Paz.
O Papa Francisco de fato, é um líder surpreendente. Se a ala mais liberal da Igreja imaginava que Francisco fosse dar voz aos seus desejos, devem estar muito decepcionados. Um grande amigo de minha família, padre, muito querido, sempre nos dizia, “os jesuítas são os padres mais inteligentes de nossa Igreja”. Custava a concordar com ele, pois, a maioria dos abusos litúrgicos e descrença na presença real de Jesus na Eucaristia, infelizmente acontecia com eles, mas não devemos generalizar não é mesmo? E está aí o Papa Francisco para provar o quão errada eu estava .
O Rito da paz foi introduzido no Rito Romano após a Reforma Litúrgica do Concílio Vaticano II, buscando uma maior participação e ação do povo junto com a Celebração Eucarística, mas ele não se "encaixava" e foi inserido entre a Oração do Pai Nosso e o Cordeiro de Deus.
Os apertos de mãos são derivados do gesto “ósculo da paz”. Ósculo na verdade é um beijo, e teologicamente se encaixa na narrativa da Paixão e Morte de Cristo. Todos os gestos que fazemos, embora pareçam banais e repetitivos, têm um significado.
O beijo da paz dado em Jesus por Judas antes de ser entregue aos soldados é um gesto marcante no inicio da narrativa da paixão e morte de Jesus, neste ponto já deveríamos estar mais compenetrados.
Em nossa sociedade moderna extremamente machista, o beijo foi substituído por um aperto de mão simples e acolhedor à pessoa que está ao lado. Mas o que vemos hoje popularmente são quase carnavais na hora deste rito. Por incrível que pareça, existem músicas para esta ocasião, algo totalmente inapropriado.
Imaginemos a cena: fiéis que saem do lugar e vão cumprimentando um por um, se detendo em conversas e risos, se esqucendo o que realmente foram fazer. Enquanto isso, o sacerdote está no altar, (se estiver, pois alguns também saem), esperando para partir a fração do pão, onde teologicamente reconheceremos que estamos diante do Cordeiro de Deus. Lc 24.
Muitos padres zelosos da Liturgia, recitam a Oração da Paz, e deslocam os cumprimentos para depois de encerrada a celebração, o que é o mais correto, pois assim não existe hiato no decurso da Celebração.
E junto com o canto, o aperto de mãos, vem as palmas. O mesmo amigo padre costumava dizer das pessoas que batiam palmas:
“As pessoas cantam o que está no coração, se o coração está vazio, não têm o que cantar, por isso seguem a música com as palmas”. Ele estava correto, Santo Agostinho já dizia, “ Quem canta, reza duas vezes”. Muitas pessoas entram vazias nas celebrações e saem mais vazias ainda, porque não encontraram o que buscavam.
O Papa Emérito Bento XVI dizia “ É no silêncio que Deus responde nossas orações”. Se as celebrações são barulhentas, como vamos escutar a voz de Deus em nosso coração? Já dizia a Primeira leitura de uma celebração recente: “Deus não estava no vento, Deus não estava no terremoto, Deus não estava no fogo. Deus estava na brisa suave”. I Reis 19 11,12
Por isso pense, Deus vai ouvir o silêncio de sua alma e de seu coração, não precisa o barulho de uma banda estridente, não precisa do barulho das palmas, não precisa do pular dos pés, das mãos para o alto, de quem grita mais alto. Deus responde no silêncio.
Abraço fraterno!
Mônica Romano é catequista em Belo Horizonte, Minas Gerais, e colaboradora do portal Catolicismo Romano.



