A DESSACRALIZAÇÃO DA MISSA – ARTIGO ESCRITO PELA CATEQUISTA MÔNICA ROMANO

Desde que acabou o Concílio Vaticano II, em 1968 a liturgia sofreu diversas modificações, mas a que custou mais caro foi a dessacralização da Missa.
E o que é dessacralização? É demistificar o que é Sagrado. É tornar o que é divino comum.
E tudo acaba sendo muito contraditório.Se por um lado o sacerdote se despiu de suas vestes, como a batina por exemplo, para ficar como o povo, a liturgia de hoje "sacraliza" este mesmo povo.
É muito comum vermos sacerdotes, pedindo aos fiéis para fazerem as orações que são próprias dele, elevarem as mãos como ele. Pois na visão dele, o padre também é povo, e o povo também é sacerdote. Mas ignora completamente que ele sacerdote é que foi especialmentee separado, e consagrado para exercer aquele ministério. Ele que representa Cristo, e quando ele representa Cristo ele é a cabeça da Igreja.
O mais preocupante é a heresia que começa a ganhar força justamente nas ações daqueles que deveriam combatê-la, a descrença de que Jesus está realmente presente nas espécies do pão e do vinho. E isso justamente no momento em que o fiel redescobre a Adoração.
Existem sacerdotes que, se não proíbem, caçoam e fazem pouco daqueles que se ajoelham antes de receber o Corpo de Cristo, se negam a dá-Lo na boca. Não acham necessário fazer a correta e digna exposição do Santíssimo. E passam a missão mais sublime para a qual foi ordenado, alguns se sentam canfortavelmente e delegam aos ministros a função de distribuir a Eucaristia aos fiéis.
O que estará ocorrendo nos seminários? O que fazem? Não lhes é explicado que quando estão celebrando a Missa estão "in persona Christ" ? Que "emprestam" seu corpo, sua mente, suas ações ao próprio Cristo, e que Ele é que distribui-se a Si mesmo? Não, temo que não. Temo pior ainda… a julgar pelas ações e "invenções" de tantos sacerdotes, cada um querendo ser mais, aperecer mais que o outro, pior, querendo ser mais e aparecer mais que Cristo. Devem aprender a demolir a Igreja de onde ela não tem defesa, de dentro.
A situação é tão grave que o Santo Papa João Paulo II publicou a Instrução Redemptionis Sacramentum em seu Cap IV [172]: "É de responsabilidade do sacerdote celebrante distribuir a Comunhão, se é o caso, ajudado pelos outros sacerdotes e diáconos; e este não deve prosseguir a Missa até que haja terminado a Comunhão dos fiéis. Só aonde a necessidade o requeira, os ministros extraordinários podem ajudar ao sacerdote celebrante, de acordo com as normas do direito" . Ou seja, a responsabilidade de distribuição da Santa Eucaristia é do sacerdote, só onde houver necessidade os ministros podem ajudar, porque é o sacerdote que está revestido a figura de Cristo, não os ministros.
A mesma Instrução proíbe o sacerdote de negar a Santa Eucaristia ao fiel que o deseje recebê-lo de pé ou joelho, é o fiel que escolhe como receber, o sacerdote não pode impor.
Eu mesma já ouvi de alguns sacerdotes que não devemos nos ajoelhar na hora da consagração; um verdadeiro absurdo, por está determinado até mesmo no Missal Romano. Ainda bem que depois veio o bispo e os corrigiu solenemente. "para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra" Fl 2,10.
E os que teimam em dizer que após o Concílio Vaticano II vivemos uma "nova" Igreja, os mesmos afirmam a tese do cisma, escarnecem da Igreja antes do Concílio, denegrindo seu modo de ritual, sua língua, suas vestes, seus gestos. São ignorantes no conceito real da palavra, pois no meu modo de ver prefiro continuar na única Igreja de Cristo que foi fundada há mais de 2 mil anos, do que em uma Igreja que foi "criada" a pouco mais de 50 anos, através de um concílio pastoral, e não dogmático.
O próprio Papa Emérito Bento XVI tentou combater de todas as formas estes padres que insistem nesta descontinuidade. Isto para mim é cisma, e todo cismático já está automaticamente fora da Igreja e dos sacramentos.
Os último absurdos que ouvi em uma homilia foram estes " não seguir os dez mandamentos não é pecado" (????) Como assim? Não é pecado??? Deus deu as Taboas da Lei a Moisés como enfeite para a casa? O próprio Jesus não cobrou do jovem rico o cumprimento das Leis Mosaicas? Não disse Jesus " Eu não vim abolir a Lei, mas aperfeiçoa-la" ? Quem ouve um sacerdote, que está revestido de Cristo dizer tais coisas, pensa o que? Se não conhece a doutrina no mínimo pensa que nada do que faz é pecado, e se não peca vai procurar o sacramento da penitência para qual finalidade?
E não parou por aí…seguia ele em sua torturante homilia: "Jesus até o momento, que sentou-se no burrinho não sabia qual era a sua missão". Como assim??? Pára o mundo que eu quero descer! Se eu creio de Jesus é Deus, como eu processo uma informação destas?
São sacerdotes que já não creem no impossível, estão corrompidos pelo secularismo, pelo relativismo tão duramente combatido pelo nosso querido Papa Emérito Bento XVI, e sentem desprezo pelos fiéis que acreditam. São apóstatas, são verdadeiros traidores da fé, da Igreja e de Jesus.
A nós nos resta a oração constante para que nossos sacerdotes perseverem na fé. Pedir a Jesus que mande mais operários, e que estes operários sejam cheios da graça e do Espírito de Deus.
Mônica Romano é catequista em Belo Horizonte, Minas Gerais, e colaboradora do Portal Catolicismo Romano.



