
Volta e meia me deparo com a discussão sobre a Inquisição, e que a Igreja Católica perseguiu e matou muitas pessoas, e que fez muita barbaridade… e por aí vai. Sei que muitos que amam a Igreja, ficam chateadas com estas acusações e não não sabem como defender a própria Igreja. Não as culpo, afinal os livros de História das escolas estão cheios de "estórias" erradas, equivocadas e manipuladas.
Mas será que foi mesmo assim, como contam os livros e nossos desinformados irmãos protestantes gostam de alardear? Será que a Igreja Católica proveu mesmo uma carnificina, que se assemelha ao holocausto? Será que só a Igreja promoveu tais perseguições?
Saiba a verdadeira história desta parte da Idade Média que não é bem contada pelos livros. Pelo menos, esta tem a fonte idônea e confiável. Não é um conto; e sim baseado e fundamentado em pesquisas históricas.
O primeiro tribunal Inquisitório foi instituido no Concílio de Verona no ano de 1184, com o objetivo de combater as heresias.
Em 1231 o Papa Gregório IX estabeleceu a Santa Inquisição através da bula " Excommunicamus" para investigar crimes como feitiçaria, blasfêmia, usura e heresias. As penas aplicadas pelo tribunal iam de jejum, multas, pequenas penitências e até prisão.
Quando o caso era grave, o condenado era entregue a autoridade civil, que punia geralmente com a pena de morte, geralmente na fogueira "Ato de Fé", isso em casos extremos em que o herege se recusava a pedir perdão ou se retratar.
O principal alvo da Inquisição foram os cátaros, que tinham como princípio fundamental o dualismo: segundo os catáros, o mundo seria composto de dois reinos opostos e coexistentes. O primeiro, comandado por Deus, seria invisível e luminoso, onde só existiria o bem. Já o segundo reino, material e visível, seria controlado pelo diabo. Em outras palavras: segundo o catarismo, o inferno ficava na Terra. Eles eram contra o matrimônio e a procriação da espécie humana. Ora, se não fosse a Inquisição para combatê-lo, ninguém de nós estaríamos hoje aqui, para relatar este acontecimento histórico.
Em 1542 a Inquisição foi reestabelecida em Portugal, Espanha e Itália, para deter o avanço do protestantismo.
Existe muita confusão muito grande na mente das pessoas, o que é a Igreja e o que é o Estado. E neste caso, a Inquisição, os dois poderes foram misturados, o Estado, poder secular perseguiu e matou mesmo muitas pessoas em nome da Igreja. A Igreja tinha um poder temporal e os reis tinham que acatar as decisões do clero sob pena de excomunhão. Porem, uma boa parte deste clero era formada por sacerdotes e Bispos indicados pela nobreza, e havia uma troca de favores.
Na Idade Medieval existiam os feldos, e três classes distintas, o clero, os nobres e os servos. Dentre os clérigos existiam o clero secular, padres, bispos e sacerdotes que viviam em sociedade, e o clero regular, os monges que pertenciam as Ordens.
Muitos dos padres e bispos, eram indicados pelos nobres, reis e serviam as suas ambições políticas e interesse próprio, ocorrendo muitas trocas de favores; uma vez que ser padre ou bispo de determinada localidade dava estatus e um certo conforto, gerando poder.
Muitas condenações foram executadas sem o conhecimento do Papa, como no caso de Santa Joana D'Arc, queimada na fogueira por um tribunal inglês. Foi em nome da Igreja, e não a Igreja quem a condenou, e assim aconteceu com muitos outros.
Em números o que temos de artigos de historiadores sérios foge e muito do que é divulgado nos livros escolares; Com base no estudo dos processos inquisitoriais o historiador Rino Camillieri concluiu: "Em 50.000 processos inquisitoriais uma ínfima parte levaram à condenação à morte, e dessas só uma pequena minoria produziu efetivamente execuções" . Toulouse, considerada uma das cidades em que a inquisição atingiu grau mais forte "houve apenas 1% de sentenças à morte" .
Agostinho Borromeu, historiador que estudou a inquisição espanhola declara: "A Inquisição na Espanha aconteceu, entre 1540 e 1700 (160 anos), 44.674 juízos. Os acusados condenados à morte foram apenas 1,8% (804) e, destes, 1,7% (13) foram condenados em 'contumácia' (queima de bonecos)".
Adriano Garuti, historiador escreve: "contrariamente ao que se pensa, apenas uma pequena porcentagem do procedimento inquisitorial se concluía com a condenação à morte."
Rino Cammilleri diz: "As fontes históricas demonstram muito claramente que a inquisição recorria à tortura muito raramente". O especialista Bartolomé Benassa, que se ocupou da Inquisição mais dura, a espanhola, fala de um uso da tortura 'relativamente pouco frequente e geralmente moderado. "O número proporcionalmente pequeno de execuções constitui um argumento eficaz contra a lenda negra de um tribunal sedento de sangue"; pois, como diz o historiador Henry Kamen, "as cenas de sadismo que descrevem os escritores que se inspiraram no tema possuem pouca relação com a realidade".
As pessoas até preferiam os tribunais eclesiais aos que tinham o poder civil, pois os tribunais eclesiais eram pautados por um conjunto de normas que constituíam o direito canônico. O acusado tinha ampla defesa e as penas não eram tão severas. Muitas pessoas procuravam os tribunais para resolver diversos problemas de ordem social, de testamentos, e disputas.
O poder civil da época contava com os tribunais "ordálios", que exigia que o acusado provasse sua inocência colocando sua mão ao fogo ou sob água fervente e o" Juízo de Deus", onde acusado e acusador disputavam uma luta, sendo o vencedor o ganhador da causa.
Muitos acusam a Igreja de coisas que a Igreja não fez, e justificam dizendo: "mas o Papa pediu perdão por isso, então certamente culpada a Igreja é". Não é bem assim, a Igreja é governada por homens, e homens são falhos, a Igreja não esconde e não nega seus erros, que foram muitos através dos séculos, e por eles pede perdão sempre que for necessário, pois a Igreja Peregrina também é humilde como humilde é seu Senhor. Mas nem todos os cataclismos mundiais são culpa da Igreja.
Os mesmos que alardeiam que houve a Inquisição Católica, sabem que existiu a Protestante?
Na Inglaterra sob o reinado da Rainha Elisabeth, 800 católicos foram mortos por ano, e jesuítas torturados e assassinados. Um ato do parlamento Inglês determinou; " que cada sacerdote romano deve ser pendurado, decapitado e esquartejado, posteriormente queimado e ter sua cabeça exposta em poste em local público" . Quando Henrique VIII iniciou a perseguição protestante contra os católicos, na Irlanda havia aproximadamente 1000 monges dominicanos, apenas dois sobreviveram a perseguição. John Knox , mandou queimar na fogueia cerca de 1000 mulheres, acusadas de bruxaria. O saque de Roma , um dos mais sangrentos da Reforma, acontecido a 06 de Maio de 1527 deixou vivos apenas 19.000 dos 55.000 habitantes. Isso quando não perseguiam eles mesmos, pois não demorou muito para que o protestantismo de dividisse como célula germinada.
Aqueles que se colocam no papel de acusadores da Igreja, bem que poderiam também defender aqueles pobres cristãos católicos que estão sendo exterminados em países do oriente, como a China, Nigéria, Indonésia, Síria, Sudão e outros. Ah, não sabem? É mentira? O simples fato de a Imprensa não noticiar, não quer dizer que não exista, estas mortes. Infelizmente podem ser comprovadas, por fotos e vídeos. E os mortos da Inquisição Católica, qual fonte pode provar que aconteceu daquela forma?
Mônica Romano é catequista em Belo Horizonte, Minas Gerais, e colaboradora do Portal Catolicismo Romano.