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Em “estado de necessidade”, Fraternidade Sacerdotal São Pio X ordena quatro novos bispos à revelia de Leão XIV

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X ignorou os apelos do Papa Leão XIV e ordenou quatro novos bispos à revelia da Santa Sé, em Écône, na Suíça, ato que comporta excomunhão automática e abre um cisma dentro da Igreja Católica.

Com cerca de 600 mil fiéis em todo o mundo, a fraternidade foi fundada em 1970, pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), como um centro de resistência às reformas modernizadoras promovidas pelo Concílio Vaticano II.

Os membros do grupo defendem a missa tridentina, criticam os ideais de liberdade religiosa e ecumenismo implementados na doutrina católica pelo concílio da década de 1960.

Em 1988, Lefebvre já havia ordenado quatro bispos sem autorização do papa João Paulo II, que excomungou todos os envolvidos. A decisão só foi revertida em 2009, no pontificado de Bento XIV, em uma tentativa de favorecer a reconciliação na Igreja.

A cerimônia atual, acompanhada online por milhares de fiéis de todo o mundo, foi realizada com o rito antigo, sob comando dos bispos Alfonso de Galarreta, da Espanha, e Bernard Fellay, da Suíça, os últimos remanescentes da excomunhão de 38 anos atrás.

Os novos ordenados são Pascal Schreiber (Suíça), Michael Goldade (Estados Unidos), Michel Poinsinet de Sivry (França) e Marc Hanappier (França).

“Somos acusados de não amar o Papa, somos acusados de não respeitá-lo, mas é precisamente porque amamos o Papa como vigário de Cristo que não queremos mais ver o Papa humilhado, colocado no mesmo nível que falsos pastores. É justamente por amar o vigário de Cristo que não queremos essa humilhação, que recai sobre toda a Igreja, colocada no mesmo patamar de falsas religiões”, disse o superior da Fraternidade de São Pio X, o italiano Davide Pagliarani, em sua homilia durante a missa em Écône.

“Por que não somos compreendidos? O problema é que falamos duas línguas diversas. Nós falamos a língua da fé, da tradição, e temos diante de nós uma linguagem que fala de outras coisas, de inclusão, de diálogo, de acompanhamento”, acrescentou Pagliarani, que garantiu estar pronto a pagar “qualquer preço para salvar a Igreja”.

“O sacrifício que Deus nos pede hoje é o de sermos tratados como rebeldes, mas queremos servir à Igreja como uma mãe necessitada, uma mãe que sofre, uma mãe que às vezes é traída, uma mãe que precisa e merece ser amada”, salientou.

Leão XIV enviou uma carta ao superior para pedir, “com todo o coração”, que a fraternidade desistisse das ordenações. “Exorto-vos a que considerem cuidadosamente o bem-estar espiritual dos fiéis, porque o ato cismático que cometeriam os privaria da recepção lícita, e em alguns casos até válida, dos sacramentos que amam e buscam para a sua santificação. A Igreja está aberta a um caminho de diálogo e compreensão que o Espírito Santo pode tornar possível e frutífero”, disse o Papa no texto.

No documento, Leão XIV reconheceu “o apego à vida litúrgica, o empenho na formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à tradição” que caracterizam a fraternidade, mas advertiu que “lacerar a túnica de Cristo” seria “um pecado de extrema gravidade”.

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