Papa Leão XIV condena tráfico humano e diz que “todos são migrantes”

Em um dos discursos mais contundentes de sua viagem apostólica à Espanha, o Papa Leão XIV enviou uma dura mensagem aos responsáveis pelo tráfico humano e pela exploração de migrantes.
Durante encontro com organizações dedicadas à integração de migrantes na Plaza del Cristo de La Laguna, em Tenerife, o pontífice exigiu o fim dessas práticas e convocou os envolvidos à conversão.
“Desta praça, quero dirigir uma palavra clara àqueles que organizam campos de extermínio, traficam seres humanos, retêm documentos, exploram trabalhadores, ameaçam mulheres, enganam famílias. Parem! Convertam-se!”, declarou o Papa diante de centenas de participantes.
Leão XIV afirmou que “o dinheiro tirado dos pobres vulneráveis não trará paz, nem honra, nem futuro e advertiu sobre a responsabilidade moral dos exploradores.
“Por cada vida perdida, cada família enganada e cada corpo subjugado, vocês terão que comparecer perante a justiça divina. Quebrem essas correntes e libertem aqueles que vocês mantêm sob seu domínio”, acrescentou.
No pronunciamento, realizado durante a última etapa da visita de sete dias do Papa à Espanha, que incluiu passagens por Madri, Barcelona e pelas Ilhas Canárias, o líder da Igreja Católica refletiu sobre o significado simbólico do município, conhecido como “cidade sem muros”.
Para ele, as barreiras mais difíceis de derrubar não são físicas. “Às vezes, encontram-se no olhar, no medo ou na indiferença”, observou.
Referindo-se ao mar que cerca as Ilhas Canárias, uma das principais rotas migratórias rumo à Europa, Leão XIV lembrou que as águas carregam histórias de sofrimento, esperança e busca por uma vida melhor.
Por isso, Leão XIV pediu aos católicos que a integração dos migrantes não seja reduzida apenas a uma tarefa social. Além de abrigo, alimentação, trabalho e proteção, os recém-chegados devem encontrar comunidades capazes de testemunhar a fé cristã com respeito à liberdade individual.
“Evangelizar significa compartilhar com respeito e humildade o tesouro que sustenta nosso trabalho e nossa esperança. Uma Igreja que acolhe é também uma Igreja que proclama, oferecendo Cristo sem impô-lo”, declarou.
O pontífice esteve no centro de acolhimento “Las Raíces”, em Tenerife, onde se reuniu com migrantes de diversas nacionalidades. Falando em francês e inglês para facilitar a comunicação com as comunidades africanas presentes, Leão XIV destacou a contribuição dos migrantes para o futuro das sociedades.
Segundo ele, a migração pode representar uma oportunidade de encontro e enriquecimento mútuo entre os povos.
“Somos todos migrantes de alguma forma, somos todos peregrinos em uma jornada”, afirmou, apelando para que todos se ajudem mutuamente a “tornar esta jornada um evento mais humano para todos, oferecendo o que está ao alcance de cada um”.
Além disso, Robert Prevost também agradeceu a colaboração das autoridades públicas, instituições e voluntários envolvidos na assistência humanitária aos recém-chegados.
A visita ao centro de acolhimento foi marcada por cenas de afeto. Após seu discurso, várias crianças correram ao encontro do Papa, que pegou uma delas no colo e cumprimentou outras famílias presentes. Em seguida, ele percorreu as instalações do centro, visitando inclusive as áreas onde os migrantes estão alojados.
Também nesta sexta-feira, por ocasião do Dia da Santificação Sacerdotal, celebrado na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa divulgou uma mensagem dirigida aos sacerdotes de todo o mundo. Nela, exortou o clero a buscar a santidade mesmo diante das limitações humanas.
“Somos limitados e imperfeitos, muitas vezes marcados pela fraqueza e pelo cansaço, por vezes por feridas”, escreveu.
Apesar disso, afirmou que os sacerdotes são chamados a testemunhar a misericórdia, a paz e a unidade por meio de uma vida inspirada no coração de Cristo.
Leão XIV concluiu incentivando a fraternidade entre os membros do clero: “O sacerdote que se isola lentamente definha; o sacerdote que caminha com seus irmãos cresce”.



