Papa Leão XIV diz não concordar com bênção formal a casais homoafetivos

O Papa Leão XIV afirmou em seu voo de volta a Roma após 11 dias na África, que é contra bênçãos formais a casais homoafetivos, prática que tem provocado consternação nas franjas mais conservadoras do clero.
A declaração foi dada após ele ser questionado no avião papal sobre a decisão da Arquidiocese de Munique, na Alemanha, de autorizar um ritual de bênção a casais do mesmo sexo.
“A Santa Sé já falou com os bispos alemães, declarando que não aprova a bênção formal desses casais”, disse.
Contudo o pontífice acrescentou que “a união ou a divisão da Igreja não deveriam girar em torno de temas sexuais”. “Acho que há questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade e a liberdade”, destacou o Papa, assegurando que a Igreja acolhe todo mundo.
“Quando o sacerdote abençoa no fim de uma missa, quando o Papa abençoa no fim de uma grande celebração como a de hoje [em Malabo, na Guiné Equatorial], a bênção é para todos”, salientou Leão XIV.
Em dezembro de 2023, o Dicastério para a Doutrina da Fé, com o aval do papa Francisco, publicou uma declaração autorizando bênçãos pastorais a casais em “situação irregular”, como os homoafetivos ou aqueles formados por pessoas divorciadas.
A medida provocou um terremoto na Igreja Católica e gerou críticas por parte de representantes das alas mais conservadoras do clero, como o então arcebispo Carlo Maria Viganò, que foi excomungado após definir Jorge Bergoglio como “usurpador” e “servo de Satanás”.
Já o pontífice argentino denunciava a “hipocrisia” de seus críticos e afirmava que “ninguém se escandaliza” quando o abençoado é um “empresário que talvez explore os funcionários”.
Francisco, no entanto, ressaltava que a bênção a casais homoafetivos é voltada às pessoas e não pode ser confundida com o sacramento do matrimônio nem ter caráter ritualístico.



