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Papa Leão XIV reúne 1,2 milhão de fiéis em Madri e pede fé comprometida com os que sofrem

O Papa Leão XIV celebrou a missa de Corpus Christi na Praça de Cibeles, em Madri, perante uma multidão estimada em 1,2 milhão de fiéis, e fez um forte apelo a uma fé comprometida com os que sofrem.

A celebração marcou o segundo dia da visita do pontífice à Espanha, que acontecerá até o próximo dia 12 de junho e também passará por Barcelona e Ilhas Canárias.

Na homilia, o Pontífice destacou que a procissão eucarística não deve ser entendida apenas como um gesto ritual ou externo, mas como um convite à transformação interior.

“Não se trata apenas de levar a custódia, mas de nos deixarmos sair do egoísmo, da indiferença e de uma fé confortável e privada”, afirmou ele, defendendo uma vivência cristã aberta ao encontro com o próximo e à conversão pessoal.

O Papa destacou ainda o significado da presença eucarística na procissão de Corpus Christi, afirmando que “o Cristo que percorre as ruas com o ostensório é o mesmo que se identifica com os pobres, os doentes, os solitários e os rejeitados”, reforçando a ideia de um “Deus próximo” que acompanha a vida cotidiana das pessoas.

“Aqui em Madri, mas também em muitos outros lugares da Espanha, Corpus Christi não é apenas mais uma festa no calendário litúrgico, mas um retorno às raízes da fé para renovar o amor e a fidelidade a Deus”, enfatizou.

Desde as primeiras horas da manhã, a cidade de Madri foi tomada por peregrinos que encheram as avenidas em redor da praça. O percurso desde a nunciatura apostólica até Cibeles foi marcado por forte entusiasmo popular: o papamóvel parou várias vezes para saudar fiéis, enquanto crianças eram abençoadas e bandeiras de Espanha e do Vaticano eram agitadas ao som de cânticos de boas-vindas.

As autoridades locais confirmaram a presença de cerca de 1,2 milhão de pessoas na missa e nas ruas adjacentes. A celebração foi acompanhada por forte dispositivo de segurança, com várias artérias da cidade encerradas ao trânsito.

No final da cerimônia, o Papa emocionou-se visivelmente quando a multidão respondeu com uma longa ovação. Após a missa, Leão XIV liderou a tradicional procissão de Corpus Christi, percorrendo parte do centro da cidade com o ostensório, num momento que durou mais de meia hora.

Na mensagem final, Robert Prevost evocou o valor histórico da festa na Espanha, destacando que a tradição das procissões “não é folclore nem ornamento estético”, mas expressão viva de uma fé que moldou a cultura, a arte e a vida social do país ao longo dos séculos.

O líder da Igreja Católica também apelou para que essa herança não seja reduzida a “um museu do passado”, mas permaneça como “escola de fé e de compromisso com o bem comum” e que “nos ensine a ajoelhar-nos diante de Deus e diante do nosso próximo, porque ninguém pode ajoelhar-se diante do Senhor e desprezar o seu irmão”.

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