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REFLEXÕES E CONSIDERAÇÕES DA SAGRADA ESCRITURA: LUTA CONTRA AS CILADAS DO DEMÔNIO

Paramentos Litúrgicos

Sagrada Escritura e a Luta conta o Demônio“Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio, porque nós não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e potestades".

"Contra os dominadores deste mundo de trevas, conta os espíritos malignos espalhados pelos ares. Portanto, tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e ficar de pé depois de ter vencido tudo. Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestindo a couraça da justiça, e tendo os pés calçados para ir anunciar o Evangelho da paz; sobretudo tomai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do maligno; tomai também o elmo da salvação e a espada do espírito(que é a palavra de Deus), orando continuamente em espírito, com toda a sorte de orações e de súplicas, e vigiando nisto mesmo com toda a perseverança…” (Efésios, VI, 11-18).

O Apóstolo S. Paulo, num belíssimo surto de oratória, descreve o aparelhamento que tornará o homem apto para o tremendo combate contra os demônios. Na verdade, a vida cristã é uma luta; luta esta, aliás, muito penosa, tanto mais que ela é diuturna e só termina com a morte. Não há, porém, combate de mais capital importância, pois, que nele se joga a vida eterna.

“Não temos  –  diz o Apóstolo  –  que lutar contra a carne e o sangue”, isto é, contra os homens, pois estes seriam menos terríveis, “mas contra os príncipes, contra as potências, contra os dominadores desse mundo de trevas, contra os espíritos maus espalhados pelos ares”. Em geral, as tentações que nos vêm  pelas criaturas humanas são mais abertas e por isso mesmo muito menos pérfidas. Mas o demônio, príncipe deste mundo, homicida, invejoso,  pai da mentira e serpente astuta, ele dissimula-se, e faz até a pobre alma achar que só será feliz satisfazendo suas paixões. Este nosso adversário, além de invisível é também mais forte que o homem.Tem a seu favor dois cúmplices fortíssimos: a concupiscência da carne e o mundo.  Muito tenaz pela inveja que o consome, volta à carga e redobra os golpes.

Caríssimos, prestai bem atenção que S. Paulo nomeia os PRÍNCIPES, as POTÊNCIAS, os DOMINADORES deste mundo de trevas. Isto está a indicar que o Apóstolo se refere aos demônios das ordens superiores. Na verdade, cotejando todas as passagens dos Evangelhos em que Jesus Cristo, Nosso Senhor, fala dos demônios, podemos afirmar, sem medo de errar, que, embora todos sejam maus, há alguns piores e mais terríveis. Entre eles há alguns cuja força é dez vezes, cem vezes, mil vezes talvez superior a dos outros. Os exorcistas tocam de perto esta realidade. Um exemplo destes demônios mais terríveis, é aquele que os Evangelhos chamam de demônio MUDO. S. João Bosco escrevendo sobre o sacramento da confissão, ao falar sobre este demônio, diz:

“Quantas almas este demônio perde!!! Minha mão treme ao escrever sobre ele!” Este demônio mudo procura levar as pessoas a não orar e a não se confessar, ou a fazer mal estas duas coisas. Outro demônio terrível é o que a Bíblia no livro de Tobias denomina ASMODEU (que significa DEVASTADOR). Segundo o famoso exorcista, faz pouco tempo falecido, o Padre Gabriele Amorth, este demônio é o que procura devastar as famílias. Demônios terríveis, outrossim, são aqueles que trabalham para fazer cair as almas sacerdotais e consagradas a Deus. Estes demônios perdem almas, digamos assim, por atacado.

No intuito de tranquilizar as almas timoratas e escrupulosas, mister se faz lembrar que, embora seja tamanha a força dos demônios que realmente os torna temíveis, no entanto, é certo que eles não são invencíveis. As criaturas humanas fracas e inexperientes, pela graça de Deus, e empregando as armas acima indicadas por S. Paulo, têm o poder de vencer o demônio. E isto é de fé: “Deus é fiel e nunca permite que sejamos tentados acima das nossas forças” (1 Cor. X, 13). S. Tiago também diz: “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós” (Tiago IV, 7). Diz ainda: “Seja-vos motivo de júbilo vos achardes expostos a provação, a tentações de toda sorte” (Tiago I, 2).

Caríssimos, a vitória contra o demônio é questão de vontade. Devemos ter vontade firme em empregar as armas contra os dominadores do mundo. O que há no mundo, diz São João, é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida. Portanto o demônio só tem domínio sobre aqueles que, resistindo as graças de Deus, se deixam levar pelo orgulho, avareza e luxúria, ou também pelos outros vícios capitais.

Analisemos, portanto, as armas indicadas por São Paulo para nos garantir a vitória: “Tomai a armadura de Deus”: a primeira e principal arma a nossa disposição é a oração. Com a oração humilde podemos dizer com S. Paulo: “Tudo posso n’Aquele que me conforta”. Deus dá a graça aos humildes. Através da oração humilde, Deus nos reveste de Sua armadura inexpugnável. Assim, malgrado as tentações, podemos permanecer de pé na graça de Deus e vencer sempre todos os ataques dos demônios, mesmo os  dos mais terríveis. “Tendo cingido os vossos rins com a verdade”: realmente, a adesão irrestrita às verdades do Evangelho vence todas as heresias de todos os séculos. “Vestindo a couraça da justiça”: S. Paulo dá-nos a entender que o homem justo, ornado de todas as virtudes torna-se invulnerável. “Tendo os pés calçados para ir anunciar o Evangelho da paz”: devemos ser zelosos das nossas almas e das almas de nossos irmãos. Daí, o dever de estarmos prontos a fugir da tentação que nos assalta e a correr em socorro do próximo quando estiver para sucumbir.

É óbvio que esta missão é específica dos sacerdotes e, portanto, mais do que para os leigos, é para eles de premente necessidade. “Sobretudo tomai o escudo da fé”: esta arma é fundamental, porquanto a fé intrépida do cristão ensina-lhe a opor à solicitações do inimigo a lembrança das verdades eternas para moderar-lhes o ardor e quebrar-lhes a violência. “Tomai também o elmo da salvação”: pode ser traduzido também “cobri-vos com a capacete da esperança”, pois tal como o capacete protege a cabeça, a esperança nos protege nos tempos de perseguições, animando-nos com a promessa dos bens futuros. Se na tentação pensarmos no céu, toda renúncia nos parecerá palha e bolha de sabão diante da glória que nos espera. “Empunhai a espada da palavra de Deus”: como o soldado com a espada atacava e avançava, assim, armado de toda palavra de Deus, o cristão poderá atacar o inimigo de sua alma e avançar de perfeição em perfeição até o ápice da santidade.

Caríssimos, uma última observação: A Sagrada Escritura , embora não oculte a força misteriosa dos demônios, ressalta ao mesmo tempo que todo poder da ação demoníaca deve reconhecer a absoluta subordinação à vontade de Deus. Haja vista o exemplo de Jó, contra o qual precisou satã de uma permissão de Deus. (Por Padre Élcio Murucci)

 

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