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Papa Leão XIV denuncia tráfico humano e defende migrantes: “Não há preço para seus corpos”

O Papa Leão XIV voltou a fazer um forte apelo contra o tráfico de pessoas e em defesa da dignidade dos migrantes, afirmando que “não há preço para o corpo humano” e que “ninguém pode vender, usar ou descartar a vida”.

A declaração foi dada durante uma visita ao porto de Arguineguín, um dos principais pontos de desembarque de migrantes na rota atlântica, localizado em Las Palmas, nas Ilhas Canárias.

Após ouvir o testemunho de uma mulher vítima de tráfico humano que falou em nome de outras sobreviventes, o Pontífice destacou que cada pessoa explorada “nunca deixou de ser vista por Deus como alguém de valor inestimável” e acrescentou que a Igreja deseja lembrar às vítimas que “não são coisas, mas filhas e irmãs”, e que sua dignidade “não pode ser tirada por ninguém”.

“Toda vida humana é uma bênção. Ninguém pode comprá-la, vendê-la, usá-la ou descartá-la. Se outros colocaram um preço no seu corpo, Deus nunca deixou de olhar para você como uma pessoa de valor inestimável”, enfatizou.

No mesmo encontro, o Papa reforçou que o drama migratório deve provocar um “exame de consciência” global e isso envolve países de origem, de trânsito e também a Europa, que “não pode se acostumar a ver o Mediterrâneo e o Atlântico como cemitérios sem lápides”.

O pontífice criticou ainda a lógica de gestão meramente estatística da migração: “Não basta administrar chegadas, divulgar números, reforçar as fronteiras ou lamentar as mortes depois de já terem ocorrido”.

“Cada barco que chega traz não só migrantes; traz consigo uma pergunta: que tipo de mundo construímos se tantos irmãos e irmãs têm de arriscar a vida em busca de sobrevivência?”, questionou.

No porto de Arguineguín, o Papa também alertou para o papel das redes criminosas, que chamou de “máfias do mar”, acusando-as de explorar o desespero de mulheres e crianças.

“Não entreguem a vossa existência a quem a negocia. Não acreditem em quem promete paraísos fáceis em troca do vosso corpo, do vosso dinheiro, do vosso silêncio ou da vossa liberdade”, disse, classificando essas falsas promessas como “cantos de sereia” ligados a uma “indústria da morte”.

Em outra fala, o Papa reforçou que “a dignidade humana não tem passaporte” e não perde valor ao atravessar fronteiras. Ele defendeu ainda a criação de rotas seguras e legais de migração, além de cooperação internacional efetiva no combate ao tráfico de pessoas e proteção efetiva para as vítimas, além de processos sérios de acolhimento e integração.

“Se existe o direito de buscar refúgio, existe também o direito de não ter que migrar: permanecer em sua própria casa sem fome, sem guerra, sem perseguição, sem corrupção roubando o pão dos pobres e sem armas destruindo o futuro das crianças”, destacou.

Por fim, Leão XIV enfatizou que “o mar pode ser uma imagem de ameaça, escuridão e caos”, principalmente porque “ainda hoje existem monstros que rondam esses mares: máfias que traficam o desespero, traficantes que escravizam mulheres e crianças, e a indiferença de muitos que permite que os pobres sejam engolidos pela exploração ou pelo esquecimento”.

“Caros migrantes, antes de lhes dizer qualquer outra coisa, quero me curvar diante da sua dignidade. Vocês não são números, nem arquivos! Vocês são pessoas com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar”, ressaltou.

A ministra da Inclusão, Segurança Social e Migração da Espanha, Elma Saiz, acompanhou a visita e afirmou que o gesto do pontífice representa “uma imagem de humanidade” no debate migratório. Já o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez também esteve presente na última etapa da viagem.

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